Presos quebram cadeados e fogem em Areia Branca

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma fuga em massa de presos aconteceu sexta-feira à noite na Penitenciária Estadual de Areia Branca (Peab), em Areia Branca (Agreste). Um grupo de detentos da ala Coletiva 3 quebrou os cadeados das celas e passou pelos alambrados depois de correr pela área externa. Uma parte dos fugitivos pulou a cerca, enquanto os outros passavam pelos buracos nela existentes. A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou que 15 presos escaparam – destes, cinco foram recapturados pela polícia até a manhã de ontem, sendo encontrados ainda na cidade de Areia Branca.

De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen), apenas quatro agentes penitenciários estavam de plantão, fazendo a segurança de todos os 477 presos da Peab. O ideal, segundo o sindicato, seria um total maior que 20 agentes. O presidente do sindicato, Iran Alves, afirmou que a fuga teria acontecido por causa do não-atendimento de algumas reivindicações dos presos, como o fim da superlotação, a melhoria da alimentação servida e o aumento do horário de abertura das celas.

O sindicalista diz ainda que outros incidentes semelhantes, como rebeliões e tentativas de fuga, vêm acontecendo "em sequência" nos últimos dias. Entre os dias 25 e 26 de junho, os detentos do setor Individual fizeram um quebra-quebra depois de terem sido obrigados a voltar para as celas.  Além da falta de efetivo e da tensão constante entre presos e agentes, outra queixa recorrente é quanto à falta de estrutura física e de segurança do presídio, que precisa de reformas, sobretudo nas cercas e nos alambrados que possuem falhas e não são eletrificadas.

Por meio da assessoria, a Sejuc informou que está apurando as circunstâncias da fuga de sexta e pode abrir uma sindicância interna. O órgão disse ainda que está concluindo um projeto de reforma e adequação do Peab, para ser apresentado nos próximos dias ao Governo do Estado e ao Ministério da Justiça. A unidade é voltada para abrigar os presos do regime semiaberto, que trabalham durante o dia e dormem na prisão. O diretor do Departamento Estadual de Sistema Penitenciário (Desipe), Manoel Lúcio Neto, estava de férias, mas já reassumiu o cargo em caráter de emergência. O vice-diretor, Marcelo Vítor, que o substituía, foi afastado preventivamente nesta quinta-feira, após ter sido preso por dirigir embriagado e armado com um fuzil da Sejuc.

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