Gabriel Damásio
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Agrava-se ainda mais o problema da superlotação nas carceragens das delegacias de polícia na Grande Aracaju. Durante a manhã de ontem, os 72 presos detidos na 2ª Delegacia Metropolitana (2ª DM), no Getúlio Vargas (zona central), se rebelaram e promoveram um quebra-quebra para tentar fugir da carceragem. Segundo informações confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), o cadeado de uma das celas foi arrebentado pelos presos, que conseguiram abrir a grade. E, seguida, eles jogaram, roupas, papelões e vários objetos para fora das celas, além de destruírem duas câmeras do circuito interno de TV, usadas para vigiar o pátio e a entrada das celas.
O tumulto foi controlado por volta das 11h30, com a chegada de duas equipes do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb). Os policiais, protegidos com escudos e armas não-letais, fizeram uma revista nas celas e conseguiram recolocar os detentos nelas. De acordo com o delegado Luciano Cardoso, responsável pela 2ª DM, a confusão foi promovida pelos presos ao longo de três horas e motivada pela superlotação. "É uma tensão constante, permanente nesta delegacia. Os escrivães de hoje saíram daqui com medo, porque eles [os presos] passaram mais de três horas quebrando as câmeras batendo as grades, batendo em tudo aqui. E eu não tive outra alternativa a não ser pedir o apoio do Gerb. E esta é a salvação nossa", disse o delegado, definindo a situação como "um inferno".
Luciano garantiu que não houve maus-tratos aos presos, mas confirmou que foi ameaçado de morte por um dos detentos. "Eu disse a ele que não tenho medo dele e espero encontrá-lo na rua para resolver o problema lá fora, não aqui. Mas a tensão é permanente, a gente vive neste conflito, ameaçado de morte. Os presos estão sendo bem tratados, orientados, mas nós não conseguimos trabalhar, porque eles ficam gritando, xingando, ameaçando, batendo grade", desabafou o delegado, assegurando que o Gerb será chamado em caso de novos tumultos. Nenhum preso conseguiu fugir.
A situação da 2ª DM já se arrasta há algumas semanas e outras duas tentativas de fuga foram abortadas pelo Gerb: buracos foram escavados pelos presos em duas celas da carceragem, sendo um na parede e outros dois no chão. A Polícia Civil reforçou a vigilância, mas admite que a situação só será resolvida com a transferência dos presos para o sistema penitenciário, cuja abertura de vagas está prejudicada pela interdição do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan). Segundo a SSP, mais de 600 presos estão detidos nas carceragens de delegacias de Aracaju e região metropolitana.
Sem visita – A situação se agrava ainda mais com a greve dos agentes e escrivães da Civil, que entra hoje em seu terceiro dia. No começo da noite, a direção do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol) confirmou que as visitas de familiares aos presos continuam suspensas até o fim da greve, mas um grupo de agentes ligados ao sindicato estará de prontidão, visitando as delegacias e fornecendo apoio para os colegas que estejam em situação de emergência.
"Por segurança, porque não temos condições de oferecer a segurança aos familiares dos presos, as visitas estarão suspensas. Estamos com esse grupo de apoio para socorrer o policial que lá se encontra, na maioria das vezes, um policial para 70 presos. Não permitiremos que o Estado feche os olhos para uma situação tão grave como essa, disse o presidente do Sinpol, João Alexandre Fernandes, em entrevista à TV Sergipe. O efetivo nas delegacias está reduzido ao efetivo emergencial de 30%, mas a SSP assegura que atuará com reforços do Gerb e da Polícia Militar para evitar incidentes nas delegacias, a exemplo dos que aconteceram na semana passada, com conflitos entre policiais e parentes de detentos.


