PRODUTOS DA ÁREA DA SECA ESTÃO MAIS CAROS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Falta de chuva no agreste sergipano prejudica agricultores e contribui diretamente para elevação de preços dos alimentos cultivados no estado. No Mercado Albano Franco, em Aracaju, produtos derivados da mandioca, como a farinha, registraram uma inflação superior a 80% e o quilo da melhor qualidade que antes era comercializado em média por R$ 3, hoje não é encontrado por menos de R$ 5. No mesmo seguimento, o quilo da mandioca, antes vendido por R$ 1,50, passou para R$ 3, e o quilo do inhame saltou de R$ 3, para R$ 3,50.

Para a maioria dos comerciantes, esses valores devem permanecer excessivos até que o sertão registre uma significativa chuva. Até o momento, não existe previsão para essa ação natural. De acordo com Valter da Farinha, bastante conhecido no mercado, as vendas caíram muito e a saída foi começar a vender outros produtos. "Aquele freguês que antes comprava três quilos da farinha por semana, passou a comprar um e meio. Percebo que a população entende a elevação dos valores, mas não deixou de pechinchar. Para não ficar no prejuízo passei a vender milho em grão", declarou.

Oriundos principalmente dos municípios de Muribeca, Tomar do Geru e Itabaiana, esse tipo de produto também está sendo encaminhado para estados como Bahia, Alagoas, Pernambuco e Espírito Santo. Para o entregador Murilo Filho, as encomendas para outras regiões também estão registrando queda ao longo dos últimos três meses. "Toda semana eu viajava para os municípios da Bahia para entregar toneladas de farinha, mas a venda caiu tanto que desde o final de dezembro que só viajo com farinha e macaxeira aqui pra Aracaju", disse. Em redes de supermercado, o quilo da farinha varia de R$ 5,50 a R$ 7.

Surpresa com o crescente valor, a cliente Jéssica Lourenço disse que nunca imaginou que o quilo do produto passaria da casa dos R$ 3. Segundo a consumidora, a farinha sempre foi um alimento imprescindível na mesa das famílias mais carentes. "Muitos sabem que a farinha nunca foi um artigo de luxo na mesa dos ricos, mas ultimamente só quem está podendo comprar ela são aquelas famílias com uma renda mensal mais satisfatória. Em minha casa, por exemplo, é um quilo por semana. Prefiro comprar um quilo de feijão e arroz do que um de farinha", alegou.

Outros – Sem registrar vasta variação nos preços, frutas e verduras permanecem sendo comercializados de acordo com o estimado por comerciantes e consumidores. Para esse final de semana, o quilo da uva será comercializado em média por R$ 2,50, e da maçã, R$ 3,80. Já o Kiwi, pouco procurado em feiras livres, sai em média por R$ 8. A depender do tipo e tamanho, os preços do mamão variam entre R$ 1,50 e R$ 2,50; enquanto a dúzia da banana é comercializada em média de R$ 1 e R$ 2.

Quando os preços são relacionados às verduras, desde o último final de semana o quilo da batata e cebola vem registrando queda, e para esse final de semana serão vendidos em média por R$ 2; o tomate e a cenoura também caíram e passaram de R$ 2 para R$ 1,50; já o quilo do repolho, também em decorrência da falta de chuva, saltou de R$ 1,50 para R$ 2.

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