Milton Alves Júnior
Em marcha pelas principais ruas e avenidas de Aracaju, professores da rede estadual realizaram na tarde de ontem um grande ato público para marcar o fim da greve nacional que tinha por objetivo pleitear melhores condições de trabalho, cumprimento da Lei do piso do magistério e democratização nos debates envolvendo representantes da categoria e governantes. Ao todo, mais de cinco mil educadores da capital e interior atenderam ao convite do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), e mesmo debaixo de forte chuva seguiram em direção ao Palácio dos Despachos.
Em campanha salarial desde o início deste mês, os docentes reivindicam junto ao Governo de Sergipe 30,19% de reajuste salarial; 10% do Plano Nacional de Educação; e profissionalização dos funcionários da educação. Participando do ato, a professora e deputada estadual Ana Lúcia (PT) disse que a marcha do magistério é essencial para mostrar ao poder público que a escola deve ser prioridade. "Foram três dias de paralisação nacional onde na última quarta-feira foi feito um grandioso ato em Brasília e hoje, em todos os estados, os professores estão unidos promovendo debates e machas como esta".
Dentre as caravanas registradas no ato, estavam a de professores dos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Cristinápolis, Itaporanga D’Ajuda, Ribeirópolis, Estância, Cedro de São João e Nossa Senhora das Dores. Questionada sobre a atual situação da educação pública em Sergipe, a deputada garantiu que a situação é precária e a única maneira de conquistar o progresso não só no estado, mas sim em todo o país é promovendo uma educação verdadeiramente democrática nas escolas estatais. "Problemas como a violência dentro das escolas existem há anos e ainda não conseguimos deter. Para que esses e outros aspectos negativos sejam inibidos, necessitamos ampliar os debates entre administradores municipais e estaduais, e os professores e diretores das instituições", pontuou.
A presidente do Sintese, professora Ângela Melo, disse que um dos motivos que impulsionou a categoria a aderir a greve por três dias foi a falta de um canal de diálogo por parte do Governo de Sergipe junto aos docentes. Segundo informações apresentadas pelo próprio Sintese, até o final da tarde de ontem, dos 75 municípios sergipanos, apenas 36 estavam, de forma ética, cumprindo a Lei do Piso. "Desde 2011 estamos sem reajuste, uma vez que a porcentagem de 22,22% do ano passado não foi repassada. Esse ano a reivindicação é de 7,97%. Somados ao do ano passado chega a exatos 30,19%", declarou.
Líquido, os professores pleiteiam um salário base de R$ 1.567 para todos os educadores concursados do estado. Acompanhando a marcha, quem também se mostrou a favor do ato foi o professor e vereador de Aracaju Iran Barbosa (PT). Questionado sobre o apoio concedido por parlamentares da base aliada do governador Marcelo Déda (PT), ele garantiu que antes de qualquer atitude coletiva do grupo, prefere defender os interesses da população que o elegeu para o cargo administrativo. "Pode até parecer que estamos e somos contra as atitudes do governo, mas isso não procede. Somos do Partido dos Trabalhadores, um partido de esquerda que preza em qualquer circunstância pelos desejos do povo. Por isso estamos aqui apoiando essa marcha", afirmou.
Estudantes – Também presente no ato, alunos de diversas escolas do estado se uniram à manifestação e cobraram melhorias na estrutura física e administrativa das unidades escolares. "Sonhamos com um ensino de qualidade, igual ao que era oferecido nos anos 50, 60 e 70. Se pararem pra perceber vão tomar conhecimento de quanto nós estamos regredindo. Isso não é bom para os alunos, muito menos para o futuro do Brasil", disse o presidente do União Sergipana dos Estudantes Secundários (Uses), Alberto Henrique.


