Professores de Aracaju protestam e podem parar

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Professores da rede municipal de ensino podem deflagrar greve por tempo indeterminado logo mais em assembleia geral a ser realizada na sede do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema). A probabilidade de suspender as aulas existe diante da falta de condições de trabalho, falta de segurança para a comunidade escolar e recorrentes atrasos no pagamento salarial da categoria. Exaustos por enfrentar todos estes problemas desde o início do ano passado, na manhã de ontem os docentes se reuniram na entrada principal do Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, com o propósito de expor, mais uma vez, a difícil situação vivenciada pelos profissionais da educação pública municipal.
Segundo a direção sindical, a mobilização de ontem serviu também para chamar a atenção dos aracajuanos para a probabilidade de greve já nos próximos dias. Sem prosseguir positivamente nos diálogos, isso quando realizados com os gestores da atual administração, Adelmo Menezes, presidente do Sindipema, disse ao Jornal do Dia que a proposta de suspender as atividades será apresentada aos sindicalistas logo mais na reunião dos filiados. Por entender que este ano de 2016 começou tão irregular quanto a todo o período de 2015, o Sindicato dos Profissionais do Ensino lamenta ter que visualizar mais um período de greve na capital sergipana por falta de respeito junto aos professores, e à educação pública.
"Ao contrário do que acontecia em gestões anteriores, e até logo no início da administração do prefeito João Alves Filho, o pagamento dos aposentados está sendo atrasado. Para se ter uma ideia do problema, o salário referente à janeiro esse mês só saiu agora na sexta-feira passada, dia 12. O dos professores ativos, saiu no dia 5. Não podemos aceitar que os fatos lamentáveis do ano passado se repitam em 2016 e por diante. Falta respeito aos professores e aos estudantes do município", declarou. O mesmo impasse salarial vivenciado pelos educadores, também tem sido enfrentado por outros servidores do município. Na última quinzena de janeiro, por exemplo, o prefeito João Alves Filho mandou comunicar que o pagamento só deve ser quitado dentro do mês vigente a partir de abril.
Adelmo garante que esta informação foi apresentada para outros sindicatos, mas não teria chegado ao Sindipema. Fato este que ajuda a gerar maior incerteza dos impasses que os professores podem enfrentar nos próximos meses em Aracaju. "Estamos sim preocupados porque os nossos salários não estão saindo dentro do mês e a única informação que chega pra gente é que a prefeitura passa por sérios problemas financeiros, mas em meio a essas declarações dos secretários de João tem um agravante: refiro-me à questão do Fundeb, que é o repasse financeiro concedido pelo Ministério da Educação, por meio do Governo Federal, que não tem atrasado o repasse para os cofres da Prefeitura de Aracaju. Tem algo de errado aí", afirmou.
Ao observar a incompatibilidade de informações expostas pelo portal da transparência da PMA, e pelos gestores financeiros, de comunicação e educação, a direção do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju decidiu expor a ocorrência junto ao setor de fiscalização do Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), e ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE). Por meio de nota, a assessoria de comunicação da administração municipal informou que parte do problema existe devido ao mês de dezembro. Isso porque a secretaria de fazenda teve que quitar três folhas, sendo elas referente ao mês de novembro, dezembro, e a do décimo terceiro. Diante deste compromisso a ASCOM alegou que a prefeitura foi obrigada a atrasar.
Resposta que não convenceu a classe trabalhadora. "E porque em anos anteriores a realidade foi bem diferente? O Governo Federal não atrasou o repasse do Fundeb e isso não quer dizer que o governo também não enfrenta problemas. São por esses e outros casos que a categoria decidiu protocolar uma denúncia nos poderes públicos de investigação, e ainda pode sim deflagrar greve", pontuou Adelmo Menezes. A assembleia ocorre na manhã de hoje na sede do Sindipema que fica localizada na Rua Carlos Correira, bairro Siqueira Campos.
MPE – A manhã de ontem foi marcada também por ato público realizado pelo Sindicado dos Funcionários do Ministério Público Estadual de Sergipe (Sindsemp). De acordo com a categoria, o manifesto teve como propósito chamar a atenção do procurador de justiça Rony Almeida, para a definição do reajuste salarial dos servidores, já que a data base para este anuncio expirou no último dia 20 de janeiro. A classe trabalhadora pede um reajuste de 10,7%, que equivale ao valor da inflação de 2015. Porém, até a tarde de ontem o órgão não havia se manifestado se iria acatar com o pedido dos trabalhadores, ou se tende a apresentar alguma contraproposta. O Sindsemp descartou qualquer possibilidade de paralisação no momento.

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