Professores estaduais iniciam paralisação

Milton Alves Filho
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Mais de 170 mil estudantes da rede estadual de ensino continuam sem frequentar as salas de aula devido à greve iniciada ontem pelos professores. A paralisação foi aprovada em assembleia em decorrência de o Governo do Estado, segundo os grevistas, não ter respeitado o piso salarial da categoria e não repassar o reajuste salarial de 13,01% para todos os níveis profissionais. Os educadores reivindicam ainda a qualificação estrutural das unidades escolares, contratação de novos professores para as salas de aula, e não para servir administrativamente a Secretaria de Estado da Educação (Seed), além da ampliação da segurança em todas as instituições.

Em campanha contra o governo desde a quinta-feira, 15, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese) lamenta também a proposta de municipalização de 40 escolas dedicadas ao Ensino Fundamental que atualmente são administradas pela Seed. Conforme avaliação dos sindicalistas, a migração administrativa destas unidades educacionais para os municípios pode resultar em amplo retrocesso da educação pública sergipana e atrapalhar o desenvolvimento educacional de milhares de crianças e adolescentes que sonham com futuro mais promissor. Durante a assembleia extraordinária realizada na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em Aracaju, ficou claro que a falta de diálogo junto ao secretário Jorge Carvalho do Nascimento também contribuiu para a deflagração da greve.

Reunidos ontem pela manhã nas intermediações do Palácio dos Despachos, os profissionais esperavam que o governador Jackson Barreto pudesse atender uma comissão formada pelos professores a fim de debater possíveis contrapropostas a serem apresentadas pelo Estado. Com o secretário de educação a categoria diz não ter esperança de negociações positivas, ou que agradem parcialmente os trabalhadores e minimizem os efeitos da paralisação. Ao todo, segundo estimativa do Sintese, pouco mais de 12 mil professores atuantes nos 75 municípios sergipanos aderiram ao movimento.

Para a presidente do Sintese, professora Ângela Melo, é fundamental que o Governo do Estado passe a entender as reivindicações dos educadores. "Nessa terça-feira vamos nos encontrar com o vice-governador Belivaldo Chagas, que já foi secretário de educação, e esperamos sair desse encontro com alguma resposta que contribua para a melhoria integral da educação pública em nosso estado. Muitos problemas existem, e não dá mais para conviver com as atuais condições que é oferecido pelas escolas", lamentou.
Paralelo ao debate a ser realizado em gabinetes dos Despachos a portas fechadas, outro grupo de professores deve seguir para a Escola Estadual Gonçalo Rollemberg, também em Aracaju, que, indo na contramão do Sintese, decidiu por não aderir à greve ao menos nessa primeira fase de mobilização e segue cumprindo o cronograma normal das disciplinas.

Quanto à decisão adotada pelos docentes da Gonçalo Rollemberg e de mais três unidades que não teriam cruzado os braços, a presidente disse entender por respeito à democracia brasileira, mas destaca a necessidade de toda a categoria se unir a favor dos respeitos constitucionais que deveriam ser garantidos aos trabalhadores da educação pública. "Estamos lutando para que a lei seja cumprida e que possa beneficiar a todos, por isso uma comissão deve retornar a esta escola e conversar com os colegas professores daquela instituição. Com o apoio de todos fortalecemos nosso movimento de greve e lutas, e conquistamos juntos os nossos pleitos", pontuou Ângela Melo.

Resposta – Na avaliação da Seed, a interrupção das aulas chega em um momento impróprio devido a aproximação de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a greve, é previsível que os estudantes já em preparação para as provas possam ser prejudicados e terão que encontrar meios suficientes para reduzir os malefícios que a greve vai proporcionar. Na tentativa de evitar maiores danos aos jovens alunos, a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação ressaltou que os gestores estaduais estão dispostos a dialogar com os professores. A Ascom informou ainda que todas as negociações estarão respeitando o limite prudencial de 46,55% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
"A secretaria permanece com os canais abertos de negociações com os professores aguardando apenas a proposta de melhor dia e horário para que o diálogo aconteça, porém já é necessário informar que todos os debates serão promovidos seguindo de forma fiel a Lei de Responsabilidade Fiscal", informou o diretor de jornalismo, Elton Coelho.

Diante do encontro a ser realizado logo mais no Palácio dos Despachos com o vice-governador, é bem provável que o secretário Jorge Carvalho não seja reivindicado pela categoria nas próximas horas. O resultado desse debate será apresentado oficialmente amanhã às 9h30 em nova assembleia no Instituto Histórico. Os professores decidirão pela permanência, ou não, da greve.

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