Milton Alves Júnior
Professores da rede estadual aprovaram na tarde de ontem a participação dos docentes sergipanos na greve nacional que será realizada entre os dias 23 e 25 da próxima semana. Reunidos no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em assembleia extraordinária, os professores aproveitaram o encontro para cobrar do Governo de Sergipe 30,19% de reajuste salarial; 10% do Plano Nacional de Educação; e profissionalização dos funcionários da educação. Atendendo a convocação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), educandos que atuam na capital e interior estiveram presentes no encontro.
Acusando a administração estadual de não abrir um canal de diálogo com os professores, Ângela Melo, presidente do Sintese, disse que a paciência dos educadores está se esgotando e não descarta a possibilidade de promover uma paralisação generalizada assim como foi realizada por exatos 58 dias no ano passado. "Há pouco mais de um mês e meio, eles disseram que assim que o projeto do Proinveste fosse apresentado na Assembleia Legislativa de Sergipe, o governo iria sentar pra conversar com a gente, mas não foi isso que ocorreu. Muito pelo contrario, os secretários Silvio Santos e Francisco dos Santos disseram essa semana que não tem data certa para sentar e ouvir as nossas reivindicações", disse. Os secretários citados respondem pelas pastas da Casa Civil e Articulação com os Movimentos Sociais e Sindicais, respectivamente.
A convite do presidente da Câmara Municipal de Aracaju, vereador Vinícius Porto (DEM), a diretoria do Sintese vai se apresentar na próxima segunda-feira, 22, para explicar aos parlamentares municipais qual o motivo da greve por três dias. Ainda de acordo com Ângela, dos 75, apenas 36 municípios sergipanos estão pagando o piso salarial do magistério. "Muitos prefeitos permanecem sem pagar o piso salarial, inclusive o prefeito da capital, João Alves. Espero que os parlamentares possam nos ajudar e fortalecer os nossos pleitos", concluiu. Dentro das pautas pleiteadas, a categoria reivindica também 100% dos royalties do petróleo para educação e convenção 151 da OTI.
Entre as cidades que, segundo o Sintese pagam o piso integralmente, estão: Nossa Senhora do Socorro, Cedro de São João, Telha e Amparo do São Francisco. Segundo a professora Lúcia Barreto, a paralisação a ser realizada na próxima semana tem por objetivo mostrar para a população que os professores estão dispostos a dialogar sobre os pleitos com os governantes. "Apesar de estarmos no limite, isso não quer dizer que estejamos de portas fechadas para um diálogo. Seja com Déda, Jackson ou algum secretario de estado, queremos é debater o reajuste de 22,22% do ano passado e 7,97% desse ano", afirmou. No aspecto segurança, Lúcia concluiu dizendo: "Diante dos fatos lamentáveis que presenciamos nos últimos dias, uma qualificação da vigilância interna e externa das instituições de ensino é necessária para garantir a integridade física e psicológica de todos".
Conforme aprovado na tarde de ontem, está marcada para a próxima quinta-feira, 25, uma mobilização na frente da Assembleia Legislativa. O ato público deve ter início às 9h e seguir até o final das atividades legislativas na Casa.


