Professores fazem protesto

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois dos professores que atuam na rede municipal, em Aracaju, na manhã de ontem foi a vez dos docentes do estado anunciarem uma paralisação por 48 horas. Conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), a categoria pleiteia a regularização do pagamento dos aposentados, qualificação das estruturas físicas das escolas, a retomada da carreira do magistério e o reajuste do piso para todos os níveis. Com a paralisação, mais de 200 mil alunos ficam sem ocupar as salas de aula.

Reunidos em frente ao Fórum Gumercindo Bessa, cerca de 80 professores reivindicavam do poder judiciário a tramitação da ação impetrada pelo Sintese, a qual exige o cumprimento da lei nacional 250 que concede reajuste do piso a todos os níveis e estabelece como será a recuperação da carreira. De acordo com a professora Eunice Vieira, é de fundamental importância que o Governo do Estado cumpra com a folha de pagamento dentro de cada mês vigente. Com dívidas atrasadas e sem garantias de quando deverá receber o salário de julho, ela alega passar por outras dificuldades.

"Minhas contas estão chegando e estou atrasando, esse é o jeito que tenho para tentar manter o equilíbrio da minha família. Hoje, por exemplo, eu não sei se pago a conta em atraso ou se faço a feira para minha casa. Queremos pedir aos juristas que olhem por cada cidadão deste trabalhador e pressione o governo a respeitar nossos direitos. Precisamos dos salários em dia para não ter que passar por sufocos", afirmou. Para os docentes de nível médio a situação também é caótica. Segundo dados apresentados pelo Sintese, desde 2013 este grupo de professores não é contemplado com reajustes salariais.

Presente no ato, a presidente sindical Ivonete Cruz reforçou o pedido de diálogo junto ao governador Jackson Barreto. Além da reunião, ela solicita que no encontro o chefe do executivo estadual possa anunciar o cumprimento dos pleitos apresentados, ou exponha contrapropostas que venham a agradar os educadores. Caso não haja avanços nesses diálogos, uma nova greve pode ser deflagrada. "O governador precisa sentar com os professores e debater esses assuntos de interesse da categoria que são de direito e que não estão sendo cumpridos pelo estado. Aguardamos o convite da administração sergipana para resolvermos de imediato esses problemas", disse.

Em nota a Seed informou que atualmente o Estado não tem condições de conceder reajuste a nenhuma categoria em função das dificuldades financeiras, agravadas pela queda de R$ 14,5 milhões no repasse do Fundeb em julho. Os salários dos professores foram pagos no último sábado, dia 30; já o pagamento dos aposentados, este terá data confirmada até o final desta semana. Sobre a situação física das unidades escolares, a SEED informou que este ano dez escolas já foram reformadas e outras 28 passarão por melhorias até o final do ano. Para as escolas que não foram contempladas nas reformas gerais, uma empresa foi contratada para realizar reparos emergenciais em unidades que previamente solicitaram melhorias.

Pressão – Paralelo às mobilizações articuladas pelo Sintese, um grupo formado por merendeiras, vigilantes, executores e oficiais administrativos do serviço público estiveram reunidos nas galerias da Assembleia Legislativa de Sergipe para reivindicar o apoio dos deputados na luta pelo pagamento salarial de aproximadamente 1.200 profissionais. Conforme denúncias, seguem em atraso o pagamento dos meses de junho e julho. Os parlamentares acolheram os pedidos e prometeram intensificar as cobranças junto ao Governo do Estado.

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