Professores protestam em Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Milhares de alunos que estão matriculados em escolas da rede municipal de Aracaju continuam sem comparecer às salas de aula devido a uma paralisação de 48h iniciada ontem pelos professores. A previsão do calendário letivo era de reinício das atividades estudantis às 7h de ontem, após mais de um mês de férias. Conforme destacado pela classe docente, as instituições de ensino continuam dispondo de estruturas precárias, problemas administrativos e falta de material que ajudam no retrocesso do ensino público. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, a capital sergipana dirige 74 unidades que atendem cerca de 30 mil estudantes.

Enquanto não retornam às atividades, na manhã de ontem um grupo de professores promoveu um ato público nas intermediações da Secretaria Municipal da Fazenda com o propósito de pressionar os gestores aracajuanos, em especial a secretária Márcia Valeria e o prefeito João Alves Filho. Segundo esclarecimentos feitos pelo Sindicato dos Profissionais da Educação Municipal de Aracaju (Sindipema), por diversas oportunidades a classe trabalhadora tentou se reunir com a secretaria para debater os equívocos que interferem na educação municipal, mas em nenhum dos pleitos foi recebida por Valeria.

Para Adelmo Menezes, presidente sindical, é de emergência necessidade o reparo estrutural dos prédios, aquisição de novos livros didáticos, contratação por meio de concursos e valorização dos professores e demais profissionais de apoio que atuam, por exemplo, nos departamentos de limpeza e preparo do lanche dos alunos. "O que mais nos chama a atenção são as propagandas feitas pela Prefeitura de Aracaju dizendo que a educação por aqui melhorou muito. A realidade é bem diferente. Esses problemas já foram discutidos junto a várias secretarias, incluindo as de Governo, Planejamento e das Finanças. Nenhum dos pontos solicitados foi atendido", disse.

O não reinício das aulas segue até a noite de hoje e possivelmente os professores só devem iniciar o segundo semestre letivo amanhã. A decisão final quanto ao fim do movimento apenas deve ser anunciada na tarde de hoje quando os servidores da educação irão participar de assembleia geral. A proposta é analisar se houve resposta por parte da prefeitura sobre as reivindicações apresentadas ainda em 2015. Caso os professores não avaliem melhorias, ou atendimento parcial dos pedidos, uma paralisação maior, possivelmente seguida de greve, pode ser anunciada na tarde de hoje.

A assessoria de comunicação da Semed informou que a paralisação gerou problemas em pelo menos 60% das instituições de ensino. Foi informado ainda que até a manhã de ontem o sindicato não apresentou nenhuma lista de reivindicações, e, todas as vezes que buscaram reuniões com os gestores, foram devidamente atendidos. A prefeitura avaliou a mobilização dos professores como ‘sem fundamento’. "Não estamos diante de uma paralisação por irresponsabilidade. Trabalhamos com ética e amor pela profissão. O futuro da paralisação vai depender da posição da Prefeitura em atenção às nossas reivindicações. Se continuar com essas forma de discutir avanços é possível que a suspensão das aulas permaneça", pontuou Adelmo Menezes.

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