O Coletivo da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE) realizou ontem em Aracaju uma manifestação política que integra os 16 dias de ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A atividade aconteceu no Calçadão da rua João Pessoa, em Aracaju, e contou com a presença de centenas de pessoas.
Trabalhadora e mãe de quatro filhos, Valdenice Batista da Silva contou que perdeu um olho e chegou a usar cadeira de rodas no decorrer de 10 anos de um casamento marcado por espancamentos, agressões, ameaças e todo tipo de violência. Durante a manifestação, ela relatou que mesmo após o fim do casamento continuou sendo vítima de surras em público todas as ocasiões em que o ex-marido se encontrava com ela na rua.
Ela recorda que chegou a chamar a polícia após algumas surras, mas eles sempre alegavam que não era flagrante, então o agressor nunca era preso e a violência só se agravava a cada tentativa de denúncia. As agressões e o medo só cessaram depois que o agressor morreu. "Estou muito feliz de estar hoje aqui viva para poder dizer isso a todas as mulheres: ninguém merece passar pelo que eu passei. Se o casamento acabou, se a violência e a humilhação fazem parte do cotidiano, busquem forças, procurem a Justiça, a imprensa, não aceitem a violência, pois mesmo quando o corpo aguenta, a cabeça adoece. Eu fiquei doente dos nervos, tenho pressão alta, tomo remédio controlado. Por isso não desistam da vida, não importa a sua idade, ergam a cabeça!", testemunhou emocionada a senhora Valdenice.
Com a conquista da Lei Maria da Penha, a impunidade diminuiu, mas ao que tudo indica o assassinato de mulheres só aumentou. O Mapa da Violência no Brasil de 2012 aponta que entre 2001 e 2012 o índice de homicídios de mulheres cresceu 17,2%, com a morte de 48 mil brasileiras nesse período.
Inserido nesta lógica machista que permite a morte, o estupro, o espancamento e outros tipos de violência, Sergipe registrou 252 assassinatos de mulheres entre 2009 e 2013. Os dados são do ‘Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres’ que também detectou as cidades com a maior taxa média de mortes por habitantes: Siriri (14,8%), Propriá (10,9%), Santa Rosa de Lima (10,7%), Brejo Grande (10,5%) e Ilha das Flores (9,6%).
Em números absolutos, os municípios com maior quantidade de assassinatos de mulheres nos últimos cinco anos foram Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana, Estância, São Cristóvão, Lagarto, Propriá, Tobias Barreto, Barrados Coqueiros e Simão Dias.


