A Polícia Civil confirmou ontem a prisão de cinco das 10 pessoas que foram detidas na quinta-feira em uma mercearia na rua Deputado Euvaldo Diniz, bairro Novo Paraíso (zona oeste). A investigação da 2ª Delegacia Metropolitana (Getúlio Vargas) chegou a um grupo que furtava produtos de vários supermercados de Aracaju e os revendia no local, a preços abaixo do mercado.
Após os depoimentos, que terminaram durante a madrugada, dois homens e três mulheres permaneceram presas: Vera Lúcia Nascimento Costa, Ana Paula da Silva, Francisca Santos Oliveira, Genailson dos Santos e o proprietário da mercearia, Givaldo de Jesus Carvalho, 48 anos, que foi autuado em flagrante. Os outros cinco detidos foram liberados. Deles, três são considerados inocentes, pois não havia provas de envolvimento com a quadrilha. Já os outros dois, um comerciante do Mercado Municipal Albano Franco e um subtenente da Polícia Militar que comprava carnes na mercearia, acabaram indiciados por crime de receptação e vão responder ao processo em liberdade.
"O subtenente foi uma das pessoas que adquiriam produtos, mas não integrava a quadrilha. Aproveitou a oportunidade e comprou a carne. Ele foi conduzido pra delegacia e foi indiciado por receptação", disse o delegado Thiago Leandro Oliveira, da 2ª DM, acrescentando que o militar "provavelmente sabia" que a carne era de origem duvidosa. A investigação é acompanhada pela Corregedoria da PM.
O delegado explicou ainda que a investigação se deu em poucos dias, a partir de várias ocorrências registradas de furtos de mercadorias em supermercados e hipermercados da área central de Aracaju.
Segundo ele, a quadrilha era formada por mulheres e adolescentes que entravam em grupo nos supermercados. "Uma parte da quadrilha tinha a função de distrair a segurança dos estabelecimentos e outra era responsável pelos furtos. Assim que saiam das lojas, eles conferiam se tinham muitas mercadorias. Se tivessem levavam os produtos para um comerciante do Novo Paraíso. Caso fossem poucas, vendiam os produtos na região dos mercados de Aracaju", disse Thiago.
Entre os produtos furtados estão carnes, leite em pó, shampoo, eletrodomésticos e ferramentas. Eles eram vendidos com preço bem abaixo do mercado, geralmente com 50% de desconto. As mercadorias, que não tinham nota fiscal, foram apreendidas e levadas à 2ª DM para devolução aos proprietários. Uma parte eslava na mercearia e a outra foi achada na residência de Givaldo, uma casa alugada na rua Osvaldo Sampaio, a poucas quadras do estabelecimento. A mercearia, considerada de médio porte, foi lacrada por fiscais da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz). Os cinco presos vão responder por crimes de formação de quadrilha, furto qualificado e, no caso de Givaldo, receptação qualificada e sonegação fiscal. (Gabriel Damásio)


