Quadrilha presa no estado por fraude no DPVAT dá prejuízo de R$ 8 milhões

Feito isso, todos os documentos eram falsificados, inclusive relatórios médicos, laudos periciais, boletins de ocorrências.

Milton Alves Júnior

Dezoito mandados de prisão preventiva, e outros 23 de busca e apreensão foram expedidos pelo Poder Judiciário contra suspeitos de compor uma organização criminosa especializada em fraudar o Seguro do Trânsito – Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). Com o apoio tático da Polícia Civil, por intermédio de profissionais que compõem o Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), a operação foi deflagrada ainda no final da madrugada de ontem em Aracaju, e em mais cinco municípios pertencentes ao interior sergipano. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE) revelou que fora da capital, a ação ocorreu nos municípios de: São Cristóvão, Salgado, Lagarto, Nossa Senhora das Dores e Propriá.
Responsável por coordenar a operação, o delegado Dernival Eloi, que também responde pela direção do Cope, a organização criminosa cooptava pessoas dispostas a dar entrada no processo administrativo para recebimento de seguro DPVAT. Estudos contábeis indicam que entre os anos de 2013 e 2014 o líder da organização conseguiu movimentar cerca de 8 milhões de reais. Os criminosos agiam da seguinte forma: inicialmente as pessoas cooptadas pelo grupo eram obrigadas a fornecer seus documentos de identidade e, em seguida, orientadas a abrir uma conta em um banco específico. Feito isso, todos os documentos eram falsificados, inclusive relatórios médicos, laudos periciais, boletins de ocorrências.
O contraponto ofertado para estas pessoas envolvia com exclusividade a entrega de dinheiro em espécie. Após o recebimento do valor, o beneficiário repassava 90% do valor para os chefes do esquema, retendo o restante para os componentes do crime organizado. Ainda segundo a SSP, o líder do esquema foi preso por outros dois mandados de estelionato. Essa identificação, seguida de detenção, aconteceu no último dia 18 de Janeiro. Em virtude de as investigações seguirem buscando desdobramentos, a Secretaria de Estado da Segurança Pública não divulgou o nome dos acusados que foram presos, porém, indicou que entre os presos estão um advogado, empresários e um motorista de ônibus, detido enquanto já estava conduzindo o veículo.
Denominada ‘Operação Apólice’, paralelo aos agentes do Complexo de Operações Policiais Especiais, o trabalho desenvolvido em conjunto contou com o apoio direto da coordenadoria da Polícia Civil do Interior (Copci), do Departamento de crimes contra o Patrimônio (Depatri), do Batalhão de Operações em Área de Caatinga, além das delegacias regionais de Lagarto, Simão Dias, Estância, Cristinápolis, Propriá e Nossa Senhora das Dores. “Este trabalho obteve êxito devido ao serviço desenvolvido por cada profissional, corporação e órgão envolvidos. Uma missão complexa, com muitos suspeitos envolvidos, mas que conseguimos desenvolver o planejamento da forma em que havíamos orquestrado”, destacou o delegado Dernival Eloi.

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