A Polícia Federal apresentou ontem um balanço da Operação Persistência, deflagrada nesta terça-feira para prender uma quadrilha de traficantes de drogas que é formada, em sua maioria, por reincidentes, ex-presidiários e até detentos que comandavam o esquema de dentro dos presídios. Ao todo, 80 agentes do órgão prenderam 16 acusados, sendo um em flagrante por porte ilegal de arma e os outros 15 com prisão preventiva decretada. As prisões aconteceram durante todo o dia de ontem em Aracaju, Itabaiana (Agreste), Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju) e Paulo Afonso (BA).
Também foram cumpridas 16 ordens de busca e apreensão, resultando na apreensão de 70 quilos de crack e cocaína, 19 carros, três motocicletas, um revólver, uma pistola, R$ 32 mil em espécie e uma balança de precisão. Todos os mandados foram concedidos pelo juiz Rinaldo Salvino do Nascimento, da Comarca de Japaratuba (Vale do Cotinguiba), que também decretou o sequestro de imóveis comprados pelos acusados em Sergipe e Alagoas, além do bloqueio judicial das contas bancárias mantidas pelos presos e outras pessoas usadas como "laranjas". De acordo com o delegado federal André Santos Costa, coordenador da operação, um dos objetivos da operação era rastrear e sufocar toda a movimentação financeira da quadrilha.
Um dos principais envolvidos é Antônio Carlos da Mota, o "Bigode de Ouro", que estava detido no Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul). Ele já foi preso em 2010 na cidade de Cristinápolis (sul), ao ser flagrado com 5 quilos de cocaína em uma operação do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc). Ele comandava o grupo responsável pela movimentação financeira da organização e pelo recebimento e distribuição de entorpecentes nas cidades de Aracaju, Socorro, Itabaiana, Lagarto, Propriá, Pirambu e Japaratuba. Nesta função, segundo a PF, estavam os acusados Adriano Pereira Cosmo (Baixinho), Cristiano dos Santos (Deputado), José Lucas Oliveira Rodrigues, Franciele Santos de Souza (Fran), Claudemir da Silva Amaral, Júlio César dos Santos Leandro, Pedro Vigner dos Santos, Tiago dos Santos Oliveira e José Alisson dos Santos.
Já o outro grupo, baseado em Paulo Afonso, era incumbido de comprar os carregamentos de drogas em cidades do Sudeste do país, sobretudo São Paulo, recebê-las e repassá-las em grande quantidade para os comparsas sergipanos. Lá também foram encontrados negócios de fachada mantidos pelos acusados para ocultar a movimentação financeira do tráfico, a exemplo de um lava-rápido. A cidade baiana, inclusive, foi a origem das investigações dos federais, iniciadas em maio deste ano, a partir de inquéritos abertos para apurar recentes apreensões de drogas em municípios como Cristinápolis, Canindé do São Francisco (Sertão) e Simão Dias (Centro-Sul).
Ao grupo baiano, estavam vinculados os presos Sandro Alves Barbosa (Chico Bila), Lucivânia Barbosa Vieira (Lú), Jaílson Inácio Pereira (Perna) e Cleberson Gleicson dos Santos. Estes eram os responsáveis pela remessa de grandes quantidades de entorpecentes, em especial o crack, para distribuição em cidades sergipanas. Todos os presos foram indiciados pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


