Considerando o cenário epidemiológico nacional, a SES elaborou um plano de contingência para o enfrentamento à dengue, à zika e à chikungunya, apesar de Sergipe não ser classificado como uma região de alta incidência e apresentar um cenário de estabilidade. No interior sergipano os municípios de Simão Dias com índice de infestação 6,4, Japoatã (5,9), Nossa Senhora da Glória (4,2) e Itabaiana (4,0), se deparam com cenário de alto risco.
No dia anterior, a Prefeitura de Aracaju informou que a capital enfrenta infestação geral de 1,0, considerado médio risco para surtos ou epidemias. A análise apresentada anteontem representa um aumento de 25%; o último estudo realizado no ano passado apontou índice de 0,8, apurado como o menor dos últimos 20 anos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em todo o estado, no mês de janeiro foram notificados 360 casos suspeitos da doença; 20 confirmados. Já no ano passado o número de confirmações foi 182 no mesmo período.
Levantamento – No primeiro Levantamento Rápido de Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) do ano de 2024 em Sergipe, o índice de classificação de janeiro de 2024 aponta que 26 municípios estão em baixo risco, 45 em médio e quatro em alto risco. Entre os municípios em condição satisfatória para o Aedes aegypti também estão Estância, Feira Nova, Japaratuba, Pacatuba, Pinhão, Santo Amaro das Brotas, Umbaúba e Nossa Senhora do Socorro.
O plano tem o objetivo de monitorar dados epidemiológicos e de controle vetorial, a fim de detectar precocemente a alteração de padrão de comportamento das doenças, para reduzir o risco de infestação do Aedes aegypti no estado.
Segundo o diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio Góes, é muito importante trabalhar com doenças que envolvem a sazonalidade. “A partir de março, começamos a ter um aumento na transmissão, como é o caso da dengue, que possui caráter sazonal no período do verão, em que se tem altas temperaturas e pancadas de chuvas. Elas podem estar presentes o ano todo, mas nesse período a gente sabe que ela sobrecarrega o serviço de saúde. Então o plano de mobilização tem o intuito de trabalhar junto aos municípios e população para que se impeça cada vez mais a replicação do Aedes aegypti em nosso território”, salientou Marco.
Ampliação de leitos – No que diz respeito ao plano de ação referente à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), foram desenvolvidas estratégias pelo grupo de trabalho (GT), como a ampliação de leitos da rede de saúde. Serão implantados ao todo 83 leitos novos, sendo dez leitos de enfermaria, dois leitos de estabilização e dez leitos de cuidados intermediários no Hospital da Criança Dr. José Machado de Souza, que também passará por adaptações em sua estrutura física.
Além disso, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) também contará com a ampliação. Serão 13 leitos de enfermaria e três leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Já no interior do estado, serão quatro leitos de estabilização e dez leitos de enfermaria. A Secretaria ainda irá contratualizar leitos pediátricos para atender as demandas, sendo dez de UTI, seis de estabilização e 15 de cuidado intermediário (Ala amarela), totalizando 31 leitos.
Com o objetivo de garantir um atendimento ainda mais eficiente, a SES e a Funesa desenvolverão um canal de comunicação por meio do 0800. Durante a ligação, o paciente terá acesso a profissionais treinados que irão orientar o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme os sintomas relatados.
Os profissionais estarão de prontidão 24 horas e seguirão o protocolo clínico elaborado pelo grupo de trabalho executivo da SES/Sociedade Sergipana de Pediatria. A iniciativa é uma ferramenta inovadora que surge para reduzir as barreiras entre o paciente e o profissional de saúde, possibilitando um atendimento qualificado e resolutivo, utilizando a tecnologia. Os profissionais de saúde também terão acesso à modalidade teleinterconsulta, por meio das quais irão trocar informações entre médicos da unidade solicitante com o médico especialista.


