Quilombolas continuam no Incra à espera de audiência com o governo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem negociação com o governador Jackson Barreto, cerca de 350 pessoas representantes de 19 comunidades quilombolas do Estado de Sergipe continua ocupando a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Aracaju. A principal reivindicação apresentada pelos manifestantes junto aos gestores estaduais e federais é a demarcação das terras hoje ocupadas pelo grupo Quilombola Brejão dos Negros, no município de Brejo Grande, distante 137 km da capital sergipana. Há quase 48 horas acampadas no instituto, a única conformação oficial no momento refere-se a uma audiência agendada para a quinta-feira da próxima semana com a presidente nacional do Incra, Maria Lúcia Falcón.

Paralelo a isso, foi garantido também que 10 representantes dos grupos sergipanos receberão passagens custeadas pelo Incra para participar destes debates em Brasília. Ainda de acordo com a promessa, assim que concluir as negociações, a demarcação das terras será aprovada pela diretoria nacional e publicada no Diário Oficial da União. Independente deste avanço, os quilombolas ressaltam a necessidade de o governador se deslocar até a sede do Incra para conversar com as famílias. Segundo avaliação da articuladora do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Lídia Anjos, esta permanência no espaço serve como garantia de que as pautas apresentadas serão, desta vez, atendidas pelos gestores públicos.

Lídia ressaltou ainda que entre 2011 e 2014, promessas de demarcações foram feitas até o primeiro semestre do ano passado, mas até o presente momento não foram cumpridas. Para insatisfação ainda maior dos grupos, recentemente uma comissão formada por empresários donos de construtoras da Bielorrússia desembarcou em Sergipe para estudar e viabilizar a construção de um hotel resort, justamente na área ocupada por dezenas de famílias do Brejão dos Negros. "Estamos unidos para conquistar nossos direitos que foram prometidos em anos anteriores e para evitar que esta terra seja utilizada visando apenas o lucro empresarial; e não para a produção de vida e cultura, assim como os grupos quilombolas desejam", declarou.

Quanto à saída dos ocupantes, a representante disse tratar de uma perspectiva com caráter incógnita, já que a meta é aguardar até o dia da viagem a Brasília, ou presença de Jackson na sede. Para a articuladora, a meta atual não é causar desordens ou conflitos com os órgãos e gestores, mas sim, exigir que o Governo de Sergipe apoie o pleito das famílias. "Estamos falando de dezenas de famílias com crianças e idosos que precisam de paz para viver e produzir. É inadmissível que o estado permaneça sem nos dar um posicionamento. Claro que não respondo por todos, mas devemos permanecer ocupando o Incra até quando o governador deixar de ser omisso nesse quesito", pontuou Lídia Anjos.

Assim como ocorreu na tarde da última segunda-feira, 13, durante todo o dia de ontem grupos quilombolas dos mais diversos municípios sergipanos chegavam ao Incra Sergipe para fortalecer a mobilização e gerar rodízio de manifestantes. Mostrando-se satisfeito com o andamento do ato público, o coordenador estadual do movimento quilombola, Wellington Nascimento, enfatizou a participação coletiva da maioria das comunidades quilombolas em atuação no Estado de Sergipe. Na opinião do coordenador, o momento vivenciado pelas famílias não representa apenas um salto positivo para o quilombo de Brejo Grande, mas também a valorização das ideologias culturais de todos os movimentos do Brasil.

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