PF apreende 87 quilos de cocaína, carros e armas

A operação realizada nesta segunda-feira pela Polícia Federal em Campo do Brito (Agreste) teve um importante resultado: a apreensão de 87 quilos de cocaína pura e a prisão de dois homens apontados como principais distribuidores da droga na capital e no interior do estado. O resultado da ação policial foi apresentado ontem à tarde na Superintendência Estadual do órgão, no bairro Siqueira Campos (zona oeste de Aracaju). Foi a maior apreensão de cocaína em estado puro que a PF fez neste ano em todo o Nordeste.

Os dois suspeitos de serem os compradores da droga são os sergipanos Boris Aidan Fonseca, 26 anos, que mora em Campo do Brito, e Reinan Monteiro Almeida, 25, oriundo de Lagarto (Centro-Sul). Já seguidos pelos policiais, eles estavam em uma caminhonete GM S-10 com placas de Aracaju e foram presos assim que entraram em um caminhão Mercedes-Benz com placa de Santos (SP), que era dirigido pelo paulista Américo Alves Neto, 46. A abordagem aconteceu perto do Ginásio de Esportes de Campo do Brito, assim que o caminhão chegou. A droga estava escondida nas câmaras de ar dos dois pneus traseiros da carreta. "O que chamou a atenção da equipe policial é de que a carreta estava vazia e o eixo traseiro dela estava suspenso. Fizemos uma revista detalhada dos pneus em uma borracharia e encontramos os 87 quilos de cocaína em alto grau de pureza", disse o agente Márcio Lopes, porta-voz da PF.

Márcio explicou ainda que a ação foi um desdobramento da apreensão ocorrida em 20 de fevereiro deste ano na cidade de Poço Verde (Centro-Sul), quando os federais apreenderam 65 quilos de cocaína escondidos em um carro que era transportado por um caminhão-cegonha despachado de São Bernardo do Campo (SP). A partir daí, várias informações levantadas à PF apontavam que as drogas seriam encomendadas por Bóris e Reinam. A principal suspeita é a de que a cocaína seria misturada a outras substâncias e distribuída para traficantes de várias cidades, incluindo Aracaju, Itabaiana, Campo do Brito e Lagarto. "Geralmente, a cocaína pura é ‘batizada’, ou seja, o traficante de menor porte faria três quilos de um. Ela renderia uma quantidade maior de drogas, e por consequência, mais lucro", explica o policial.

Além das drogas, do caminhão e da caminhonete, foram apreendidos um Renault Fluence, que pertencia aos sergipanos, e dois GM Corsa que, segundo a polícia, têm compartimentos falsos para guardar drogas e transportá-las para outros locais do estado. Na casa de Bóris, em Campo do Brito, os policiais apreenderam três capuzes e cinco pistolas Glock, de calibres 380, 40 e 9mm, além de documentos e joias e R$ 17 mil em dinheiro que seriam utilizados para fazer o pagamento do caminhoneiro paulista.

Os três presos foram autuados em flagrante por porte ilegal de arma, formação de quadrilha e tráfico interestadual de drogas. Eles também serão investigados por outros crimes relacionados ao tráfico, a exemplo de assassinatos que já são investigados por delegacias locais da Polícia Civil. "É fato, os traficantes presos na data de ontem eram responsáveis pela distribuição de grandes quantidades de entorpecente no Estado de Sergipe e, com este comércio, bem como com a venda de armas em nossa região, fomentaram a disputa do tráfico em várias cidades do Estado, em especial, em Itabaiana. As investigações continuarão para apurar eventual envolvimento dos presos com os diversos homicídios ocorridos naquela cidade nos últimos meses", confirma a PF, em nota oficial. (Gabriel Damásio)

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