Radioterapia segue suspensa no Cirurgia

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Parado há 20 dias, desde 25 de julho, o aparelho de radioterapia com software 3D, da Fundação de Beneficência Hospital Cirurgia quebrou pela segunda vez, em pouco mais de seis meses.
Segundo o assessor de comunicação da Fundação, Márcio Alexandre, o defeito foi detectado no acelerador linear do Centro de Radioterapia, que deixou de funcionar por problemas eletrônicos e mecânicos, que ocasionaram danos no fuso da engrenagem da mesa.

Porém, o problema já está sendo solucionado. "O engenheiro da empresa responsável pela manutenção do acelerador linear identificou o problema in loco e foi providenciada a produção de uma nova peça no mercado nacional, para substituir a defeituosa, além da importação de um novo motor para a mesa", informou. A outra boa notícia é que ainda esta semana a peça deve chegar ao hospital. "Nossa expectativa é que na próxima semana o atendimento seja normalizado", adiantou Márcio.

O equipamento é usado às manhãs e às tardes e, ocasionalmente, à noite, de acordo com a demanda. A capacidade atual de tratamento do Hospital de Cirurgia é de 70 pacientes por dia. "Como os ciclos de tratamento normalmente implicam em aplicações diárias por períodos de 25 a 30 dias, a paralisação afeta os 70 pacientes em tratamento e não 70 novos pacientes a cada dia. Nossos pacientes continuam em acompanhamento médico, realizando tomografias e consultas para revisões, assim como todos os procedimentos clínicos necessários e imprescindíveis ao tratamento", explicou Márcio. Ele também confirmou que o Hospital de Cirurgia já iniciou o processo licitatório para aquisição de uma nova máquina.

Huse – Já no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), a assessora de comunicação Katiane Menezes informou que na unidade hospitalar o aparelho funciona 19 horas por dia, de 6h da manhã à 1h, e atende nesse período 88 pessoas. Lá, o aparelho está em funcionamento, no entanto, por possuir software 2D, não pode absorver a demanda do Cirurgia.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), João Augusto Alves, explicou que a radioterapia tem a função de corrigir a evolução do câncer, além de aliviar a dor, ou seja, serve de tratamento e de paliativo. Por isso, sua interrupção gera o ‘insucesso terapêutico’. "Cada tratamento tem seu protocolo de intenções e ele deve ser seguido, para não causar prejuízos a quem precisa do tratamento radioterapêutico. Se um determinado caso precisa da radioterapia e não há essa aplicação, a chance de cura se esvai", disse o médico.

Segundo ele, a radioterapia 3D danifica menos o tecido saudável e o médico consegue direcionar melhor a radiação. "O 3D é um tratamento top", assegurou. Ele alertou ainda para o fato de que os aparelhos de radioterapia em Aracaju são sobrecarregados. Funcionam muitas horas por dia. "Os dois maiores hospitais sergipanos só contam com um aparelho cada, quando o ideal seria ter dois em cada hospital".

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