Milton Alves Júnior
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Um reajuste de até 12% na lista de material escolar tem tirado o sossego de muitos pais sergipanos. Segundo previsão feita pela Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae), a tendência é que já a partir do próximo dia 16 de dezembro os preços de produtos básicos fabricados no Brasil, tais como borracha, lápis, caneta e massa de modelar, sofram reajuste e aumentem a despesa dos alunos. Paralelo a essa inflação, os utensílios fabricados fora do país devem gerar ampliação nos valores de até 30%. Nessa lista entram carrinhos com mochila, estojos, lancheiras e canetas de cores variadas.
Como se não bastasse o aumento considerável no material escolar, pais ou demais responsáveis de estudantes que frequentam as escolas particulares começam a ficar aflitos com a probabilidade de reajuste nos preços das matrículas e mensalidades que pode ficar em torno de 8% a 10%, se comparado com o início deste ano. A resposta para essa inflação está, segundo as escolas particulares, no reajuste anual do salário dos professores e demais profissionais que atuam na unidade educacional. Essa porcentagem também deve ser utilizada com materiais didáticos, qualificação do sistema interno e externo de segurança, além dos produtos de higienização e conservação estrutural do ambiente.
Para Lúcio Barros, que possui dois filhos cursando escola particular, as dificuldades para mantê-los na mesma unidade tem obrigado a família a deixar de lado momentos de lazer e realização de outros planos. Com um orçamento mensal de R$ 1.300 em 2015, a perspectiva para o próximo ano é de R$ 1.700, já que, nesse bolo inflacionário o transporte escolar deve apresentar reajuste também nos próximos dias. "Deixamos de viajar em família, deixamos de trocar de carro e, infelizmente, ano que vem já estamos achando que teremos que tirar nossos filhos do curso de inglês porque deve aumentar também. Nosso salário sobe muito pouco se comparado com a inflação e não tem como a gente manter o padrão. Estamos fazendo esses esforços pela boa educação deles, mas estamos no sacrifício", lamentou.
Se a situação já é difícil para os pais que possuem filhos cursando o ensino fundamental, a situação chega a ser desesperadora para os responsáveis que matriculam adolescentes no ensino médio. Próximo de disputar uma vaga no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2016), muitos necessitam participar de aulas extras em cursinhos, frequentar as escolas de línguas estrangeiras, além de se matricular em laboratórios de química, física, biologia e da temida redação.
A fisioterapeuta Lorena Sampaio, mãe de um estudante de 16 anos, destacou que as escolas em período integral nos anos que compõem o ensino médio muitas vezes são mais caras se comparado aos cursos universitários que os jovens desejam seguir ao concluir o período colegial. "Se a matrícula de aulas normais aumenta, certamente a de período integral aumentará também. Desse jeito não tem bolso que aguente tanto gasto. Para se ter uma ideia, eu não vejo a hora do meu filho concluir o ciclo escolar porque se hoje eu pago só com a escola R$ 1.100, na universidade vou pagar R$ 850. Vou ter que fazer mágica para deixar ele na escola no último ano como colegial", disse.


