O Rio São Francisco vem sofrendo graves consequências com os constantes pedidos de redução de sua vazão. A defluência praticada está em 1.100 m³ por segundo, em atendimento a pedido formulado pelo setor elétrico junto à Agência Nacional de Águas (ANA), que tem concedido as autorizações mesmo sem a apresentação de estudos de viabilidade hidroambiental. Somente na última reunião promovida pela ANA, no último dia 27 de janeiro, da qual participaram o setor elétrico e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou uma metodologia aplicada para definir os pedidos de redução da vazão do rio.
O presidente do Comitê, Anivaldo Miranda, tem se colocado de forma veemente contra a defluência praticada atualmente no "Velho Chico". Para Miranda, o rio esgotou sua capacidade de doar água para a geração de energia. Ele cita algumas iniciativas de governos estaduais e do governo federal que vêm prejudicando a vida do rio e ocasionando no surgimento de grandes bancos de areia no seu leito. "Alagoas já tem o seu Canal do Sertão, Pernambuco tem a transposição e o governo federal promove o represamento para a geração de energia. Isso demonstra que é preciso pensar em novas matrizes energéticas, a exemplo da eólica e a solar. Somos um país com um potencial imenso para explorar esses recursos, por sermos de clima tropical e, erroneamente, não se aproveita", protesta Anivaldo Miranda.
Ainda de acordo com o presidente do colegiado, o setor elétrico admitiu a fragilidade de sua estrutura para sediar grandes eventos, sendo esse um dos grandes motivos da grande exploração das águas do "Velho Chico". "Tivemos a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações e o próprio setor elétrico admitiu que esses eventos foram responsáveis pela necessidade de manutenção do nível atual do rio. Ora, estamos nos aproximando da Copa do Mundo de Futebol. Imagino que esse é o início do fim do rio", protesta Miranda.
Na região entre o município alagoano de Penedo e Neópolis, em Sergipe, são visíveis os imensos bancos de areia. Em virtude disso, os proprietários das balsas que fazem o transporte entre as duas cidades têm sofrido enormes prejuízos, principalmente com o encalhe das embarcações em diversas oportunidades. "Temos batido na porta da ANA, em Brasília, desde quando começaram os pedidos de redução da vazão por parte da Chesf [Companhia Hidrelétrica do São Francisco] na jusante de Sobradinho e o governo federal tem fechado os olhos para o problema", acrescenta o presidente do CBHSF. "O rio São Francisco necessita de um atendimento diferenciado, devido a sua extensão e importância e isso, infelizmente, não tem sido levado em consideração pelo governo federal", conclui Anivaldo Miranda.
Seminário – Nesta terça-feira, 11, a partir das 9h30, Anivaldo Miranda participa de uma mesa redonda promovida pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), na qual irá abordar o tema "recuperação hidroambiental", quando acontece seminário com o mesmo tema. O principal objetivo do evento é reunir os três organismos que realizam trabalhos de recuperação em Sergipe, ou seja, a secretaria estadual de Meio Ambiente, o CBHSF e a Petrobrás. Com parte dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso das águas, o CBHSF promove a recuperação hidroambiental em municípios inseridos na bacia do Rio São Francisco. Atualmente, 22 obras estão sendo executadas pelo Comitê e outras estão em fase de elaboração dos editais para licitar novas.
No dia 3 de junho será realizada uma mobilização nacional em defesa do "Velho Chico", com manifestações que devem acontecer desde a sua nascente até a foz, envolvendo todos os 504 municípios inseridos na bacia.


