Redações do Enem corrigidas serão divulgadas pelo Inep

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Nove mil estudantes de Sergipe estão questionando na justiça federal a correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. Os candidatos cobram do Ministério da Educação (MEC) que libere o acesso à correção da redação antes do início das inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

No início da tarde de quarta-feira, 2, os estudantes se reuniram em frente à Procuradoria da República de Sergipe para protocolar a petição. O resultado das provas foi divulgado na última sexta-feira, 28. Em todo o Brasil, cerca de 25 mil estudantes que se sentiram prejudicados com a correção das provas de redação do Enem estão se organizando de forma simultânea para tentar sensibilizar o MEC a reconhecer as falhas.

Os candidatos também estão solicitando do governo federal a divulgação com mais brevidade do espelho da redação que seria liberado apenas após os prazos de matriculas das universidades e datas de inscrição de programas de incentivo à educação. Para os estudantes, o fato prejudicaria os candidatos que quisessem recorrer quanto às notas das provas divulgadas pelo MEC.

Na tarde de quarta-feira, ocorreram diversas manifestações de estudantes insatisfeitos com a correção da redação. Desde a divulgação das notas, as queixas se espalham pelas redes sociais. No Facebook, a comunidade "Ação judicial – redação Enem 2012", que já reúne quase 26.000 pessoas, organizou uma agenda de atos públicos em 13 capitais brasileiras.

Além das reuniões, os manifestantes também preparam um abaixo-assinado virtual para alimentar uma ação judicial pedindo o acesso à correção da redação antes da próxima segunda-feira, 7, quando se iniciam as inscrições do Sisu. Com a correção em mãos, os estudantes querem questionar na Justiça os critérios adotados pelo ministério.

De acordo com o calendário oficial do Enem 2012, o acesso à correção da prova de redação só será liberado no dia 6 de fevereiro. No entanto, não será possível contestar a nota atribuída pelos avaliadores. O acesso, segundo o MEC, tem caráter exclusivamente pedagógico.

A prova de redação é uma das notas mais valiosas na hora da disputa de uma das vagas do Sisu, sistema que escolhe os candidatos para as instituições públicas de nível superior. Além disso, o estudante que teve nota igual a zero na dissertação está impossibilitado de se inscrever no sistema e também está fora da disputa por uma bolsa do Programa Universidade Para Todos (ProUni).

Após diversas reclamações em 2011, o MEC anunciou mudanças nos critérios de correção da redação do Enem 2012. No ano passado, o MEC e o Ministério Público Federal firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta estabelecendo que a partir do Enem 2012 os candidatos passariam a ter acesso à correção de suas provas – sem direito, contudo, a uma nova avaliação. A medida, acordaram as partes, teria apenas "caráter pedagógico".

Em Sergipe, os estudantes já assinaram a petição que foi entregue no Ministério Público Federal. O próximo passo é entregar o mesmo documento na Ordem dos Advogados do Brasil/Secção Sergipe (OAB/SE) para que providências sejam tomadas.

"Nós tivemos nossas redações corrigidas por outros professores que nos informaram que nossas notas foram injustas. Queremos nada mais que justiça. Queremos que o MEC reconheça as falhas e libere o espelho da redação antes do prazo determinado por eles. Ao que parece o intuito é apenas prejudicar os candidatos", disse o candidato Natan Andrade, integrante do movimento em Sergipe.

A maioria dos estudantes participou do processo seletivo da Universidade Federal de Sergipe (UFS), cujo resultado está previsto para sair no dia 11. Em Sergipe, o Enem teve 65.681 inscritos, com 25,60% de abstenção.

Compartilhe esta notícia