Reintegração adiada

As 220 famílias sem-teto que reivindicam um terreno ocupado há mais de um ano na comunidade "Ponta da Asa", bairro Santa Maria (zona sul), permaneceram acampadas no próprio local e também no Centro Administrativo da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), no Castelo Branco (zona oeste), invadido desde a última segunda-feira. A reintegração de posse do terreno, que inicialmente estava marcada para ontem, não aconteceu. Ontem, a Defensoria Pública do Estado impetrou, junto ao Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), um pedido de reconsideração da decisão judicial que autorizava o despejo das famílias, que pedem a desapropriação da área para a construção de casas populares.

De acordo com o defensor público Alfredo Carlos Nikolaus, a ação tem caráter de urgência e pediu a realocação dos sem-teto em uma área com condições de moradia ou a concessão de auxílio-aluguel, revertendo uma liminar recente que deu ganho de causa à PMA. Outro pedido foi a convocação de uma audiência pública igualmente urgente, para que a Justiça ouça e negocie com os representantes das famílias e das áreas de assistência social da PMA e do Estado. A ação não foi julgada até a tarde de ontem, mas fez com que a Polícia Militar não recebesse nenhum comunicado de cumprimento de qualquer ordem de reintegração.

Na sede da Prefeitura, permaneceu o impasse entre a Guarda Municipal e os manifestantes que acamparam dentro e fora do local. No começo da manhã, houve uma discussão causada pela restrição da entrada de mantimentos, mas que foi logo contornada. Ao longo do dia, militantes de movimentos sociais e partidos de esquerda foram ao local para prestar solidariedade aos sem-teto.
No começo da noite, o prefeito João Alves Filho (DEM) e a secretária de Assistência Social, Maria do Carmo Alves, chegaram ao Centro Administrativo e se reuniram com a equipe de governo para discutir a situação das famílias da Ponta da Asa. A reunião não acabou até o fechamento desta edição, mas a secretária de Defesa Social, Georlize Teles, disse que a PMA vai continuar dialogando com os manifestantes, até que uma solução seja encontrada. "A Prefeitura de Aracaju não gosta desta situação, nem criou esta situação. O problema existe e não será jogado para debaixo do tapete. Vamos juntos resolver esta questão", garantiu Georlize.

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