Resgate de presos da 5ª DM pode estar ligado ao tráfico

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil investiga a possibilidade de que traficantes de drogas estejam ligados ao resgate de dois presos que estavam detidos na carceragem da 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM), no Conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A unidade foi invadida na tarde deste domingo por nove homens fortemente armados que renderam e agrediram o único agente que estava na delegacia. Um dos resgatados é Thiago José Caetano Mota, que tinha sido preso na última sexta-feira em Cristinápolis (Sul) com mais de 100 quilos de maconha prensada, os quais eram trazidos para Aracaju no porta-malas de um carro com placas da Bahia.

Tais investigações serão lideradas pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), que prendeu Thiago em uma operação conjunta com policiais militares do Grupamento de Ações Táticas do Interior (Gati). No entanto, a unidade será apoiada por outras unidades da Civil, como o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), cujas equipes iniciaram as apurações ainda na tarde de domingo. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), mais de 100 policiais foram mobilizados na busca pelos bandidos. O outro detento resgatado é Samuel Santos Pereira, 23 anos, preso semana passada no bairro Cidade Nova (zona norte de Aracaju), por receptação de veículos roubados.

A escolha pelo Denarc se deu porque suas equipes já tentavam descobrir quem forneceu a maconha para o acusado. E a nova suspeita é de que estes mesmos traficantes tenham algo a ver com o resgate de Caetano. "A linha de investigação é exatamente esta, de um grande grupo interestadual, e agente vai buscar exatamente os integrantes desta quadrilha. Acredito que, em uns 15 dias, nós vamos dar uma resposta à altura do crime que eles cometeram", assegura o delegado Everton Santos, superintendente em exercício da Polícia Civil. Ontem, o Denarc recebeu gravações do circuito interno de TV da 5ª DM, cujas câmeras registraram a invasão dos criminosos.

Eram cerca de 14h30 quando tudo aconteceu. O agente Gilmar Ângelo Cabral, 49, que estava de plantão, conversava com dois homens que tinham ido até a 5ª DM para saber noticias de um irmão que está preso na unidade. Ele estava sozinho na ocasião porque o outro policial que estava de serviço tinha saído para almoçar. Foi o instante em que os criminosos chegaram, a pé, sem esconder seus rostos e armados com pistolas, revólveres e escopetas calibre 12.  O grupo avançou contra Gilmar e as testemunhas e os rendeu com violência. "Quando eu virei as costas, eu já vi uns seis ou sete [homens] vindo pra cima de mim, tudo armado, querendo saber onde estavam as armas. E me deram chute, deram na minha cabeça, levaram meu celular, bagunçaram tudo…", relatou o policial, ainda assustado.

Parte dos bandidos entrou na 5ª DM pulando o portão da garagem, enquanto os outros entravam pela janela. Durante cerca de 15 minutos, eles agrediram o policial, quebraram portas, reviraram todas as salas – inclusive a do delegado titular Ademir Melo – e abriram vários móveis com ferros e pés-de-cabra. Eles também tiveram acesso às quatro celas da carceragem, nas quais estavam 44 presos – 11 em cada uma.

Com os mesmos ferros, eles forçaram as grades de uma das celas, permitindo a saída de Thiago e Samuel. Os outros presos preferiram ficar. Os detentos juntaram-se aos invasores e fugiram com eles, levando todas as armas da delegacia. "Os caras foram entrando, botaram as armas e tchau (sic). Bem rápido", resumiu uma testemunha.

Algumas pessoas viram a quadrilha saindo a pé da delegacia, mas outras viram parte dela entrando em um carro de cor preta. A resposta da polícia veio rápida, e com força: dezenas de equipes das polícias Civil e Militar foram deslocadas para o Conjunto João Alves e no entorno do Rio do Sal, onde montaram bloqueios, fizeram várias buscas e revistaram pessoas e carros suspeitos. Um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) da SSP também sobrevoou a região, em apoio às equipes de terra. Seis homens chegaram a ser detidos e levados para a 5ª DM, sendo três em uma casa na Invasão dos Canos e outros três em um barco no Rio do Sal. No entanto, eles foram liberados mais tarde, por falta de provas que os ligassem ao resgate.

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