Milton Alves Júnior
As últimas 24 horas tem sido de expectativa para mais de 50 famílias que trabalham há mais de 30 anos na Fazenda Boa Luz. Lançado para leilão até as 23h59 de ontem, o espaço bastante conhecido por seus passeios ecológicos e recepção de turistas no único Hotel Fazenda do Estado de Sergipe, logo no início da tarde recebeu o lance de 7,5 milhões de reais. A atividade relacionada ao 16º Leilão Unificado foi coordenada pelo Tribunal Regional do Trabalho, através da 20ª Região. Diante da possibilidade de perder o emprego, vários trabalhadores da fazenda transpareciam o receio do resultado deste processo judicial que teve início no segundo semestre de 2013. Por decisão superior, e sob ameaça de punição, nenhum funcionário foi liberado para conceder entrevista, inclusive os profissionais da Assessoria de Comunicação.
No seguimento oposto dos trabalhadores da fazenda, ex-funcionários da Viação Cidade de Aracaju (VCA) esperam que os direitos trabalhistas garantidos por leis federais finalmente possam ser repassados. Segundo o juiz do trabalho, Antônio Francisco Andrade, responsável pelo caso, o débito da empresa VCA com os empregados é resultante do não pagamento do fundo de garantia, horas extras trabalhadas e verbas rescisórias. Ao todo, 1200 rodoviários da empresa de ônibus prestavam serviços ao transporte coletivo de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristovão quando, mesmo antes de concluir o contrato firmado, o grupo foi obrigado a se afastar do serviço público. A decisão ajuizada foi possível após uma série de denúncias de irregularidades terem sido apresentadas ao poder judiciário estadual.
Ao anunciar oficialmente que a fazenda seria leiloada, o meritíssimo destacou que, ao longo do inquérito foi possível perceber que: "Centenas de processos contra as empresas VCA e Cidade Histórica existem por conta do não pagamento de dívidas. Como o volume de processos é muito grande, acumula uma dívida que não temos como precisar. Só sabemos que gira em torno de R$ 30 milhões", disse Antônio Francisco. Com o decorrer dos estudos e atualizações de valores, a Fazenda Boa Luz, que fica localizada na BR 235, KM 16, zona rural do município de Laranjeiras, na manhã de ontem esteve avaliada em 35 milhões de reais. A perspectiva inicial era que o imóvel recebesse lances presenciais no valor mínimo de 17 milhões.
Conforme informações do TRT, como não o sistema não registrou lances presencial, então ele foi desmembrado em duas partes, fazenda e hotel, avaliados em R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, respectivamente. Já que os lances puderam ser feitos até o último segundo de ontem, juristas do TRT e representantes do Grupo Bomfim apenas devem conceder informações relacionadas ao fim do processo na manhã de hoje. O Jornal do Dia tentou obter informações do grupo através do assessor jurídico Alcivan Menezes, mas até às 20h nenhum e-mail foi respondido, e o telefone móvel estava fora de área. A única informação repassada pela Ascom da fazenda é que: "As programações e atividades culturais seguem conforme previsto no planejamento".
Outros procedimentos – Em dezembro do ano passado o terreno da garagem do Grupo Bomfim foi dividido em três partes para facilitar a venda e também foi leiloado por determinação da justiça. A primeira delas foi arrematada em leilão, garantindo a quitação de 10% do valor da dívida do grupo econômico, que até então já superava a casa dos R$ 50 milhões. Segundo o cobrador Eduardo Barbosa, essa etapa do processo vem sendo aguardada com expectativa por parte dos ex-servidores que lutavam por seus direitos há mais de 18 meses. Para ele o dia de ontem foi de alívio para todos, mas além de comemorar o fim do leilão, é preciso que a categoria continue unida junto ao sindicato a fim de acompanhar de forma atenta aos trâmites finais.
"Estamos todos contentes com mais esse passo dado que foi conquistado depois de muita luta e pressão aqui na frente da sede do TRT. Conquistamos mais esse avanço que parecia não chegar e vamos seguir em frente porque o trabalhador acaba de vencer um gigante. Nossa esperança veio no leilão de dezembro, e esse agora chegou para nos aliviar", declarou. O 16º Leilão Unificado da Justiça do Trabalho em Sergipe reuniu mais de 100 lotes, como terrenos, veículos automotores, máquinas industriais, equipamentos eletrônicos etc. Até o final da tarde, mais de 65 deles já tinham sido arrematados.

