Revista apreende facas e celulares no Preslen

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma revista detalhada realizada ontem de manhã por agentes penitenciários no Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão), apreendeu várias facas artesanais e telefones celulares. Todo o material estava escondido em diversas celas do pavilhão principal da unidade, no qual ficam os presos considerados mais perigosos. A revista, considerada de rotina, foi executada por equipes do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), com apoio de servidores lotados no próprio presídio.
total de objetos apreendidos ainda será informado oficialmente pelo Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe), mas, segundo o diretor do órgão, Agenildo Machado Júnior, o resultado está dentro da média de outras apreensões realizadas no sistema. Durante a operação, os presos foram obrigados a sair das celas e ficar rendidos no pátio do presídio, enquanto parte dos agentes fazia as buscas nos cubículos, onde os presos escondiam celulares, carregadores, chuços e facas improvisadas, além de cordas feitas a partir de lençóis, conhecidas como "teresas".

Agenildo informou que um procedimento administrativo foi aberto pela direção do Preslen para investigar quem são os responsáveis pelos objetos. Segundo o diretor, a investigação tem o objetivo de identificar as chamadas "lideranças negativas", isto é, presos que incitam a violência e as fugas dentro da cadeia. "Essas lideranças serão isoladas dos outros presos e cumprirão essa punição dentro do prazo de 10 dias, com direito a defesa e dentro do que prevê a Lei de Execução Penal. E se ficar comprovada que houve uma transgressão, essa punição pode chegar a 30 dias", disse. A investigação é acompanhada pelo juízo da Vara de Execuções Penais.

Ainda conforme Machado, a direção do presídio pode pedir ainda à Justiça que autorize a transferência destes líderes para outros presídios, em geral considerados de segurança máxima. "Essa prática é uma forma de quebrar e desarticular os grupos e os comandos que porventura venham a se formar dentro do presídio",  explica o diretor, afirmando que, até agora, as investigações não identificaram a formação de nenhum grupo entre os detentos. Em paralelo à identificação dos proprietários, a investigação do Desipe quer saber como estes objetos conseguiram ser repassados para dentro do presídio e se houve algum tipo de facilitação no ingresso dos objetos. O trabalho é igualmente acompanhado pela Corregedoria do Desipe e pela Polícia Civil.

Atualmente, o Preslen tem mais de 60 agentes em seu quadro de servidores, contra 369 presos – mais que o dobro da capacidade atual de 177. A vizinhança do presídio, que fica hoje no meio da zona urbana da cidade de Glória, protesta atualmente pela retirada da unidade do local atual, bem como a sua transferência para um local ainda mais afastado da zona urbana. Os moradores sentem-se inseguros, principalmente depois da fuga em massa ocorrida em 21 de agosto, na qual um agente penitenciário morreu e 20 detentos conseguiram fugir do presídio, armados com pistolas e revólveres roubados do próprio presidio..

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