Falta de saneamento básico e valas que impossibilitem alagamentos em bairros da Grande Aracaju vêm contribuindo para a insatisfação de populares que habitam, principalmente, em comunidades periféricas. Na Piabeta, por exemplo, em Nossa Senhora do Socorro, os moradores garantem que com a chegada do período chuvoso muitas ruas, trechos de avenidas e praças ficam alagadas e proporcionam para a proliferação de ratazanas, escorpiões e insetos. Preocupados com os atuais problemas, a população teme também que a desordem pública contribua para o aumento nos casos de dengue. Nos últimos 20 dias, oito pessoas já foram diagnosticados com essa doença na localidade.
Preocupado com a situação, o carpinteiro Adailton Santana alegou que a falta de políticas públicas no município tem contribuído para que o progresso da comunidade não seja devidamente proporcionado. Para ele, obras emergenciais devem ser autorizadas imediatamente pelo prefeito Fábio Henrique (PDT). "Esse tipo de problema nós estamos enfrentando há mais de cinco anos e infelizmente os políticos só sabem chegar aqui e pedir o nosso apoio em períodos eleitorais. A lama invade as nossas casas e acaba com tudo que construímos ao longo dos meses de estiagem", disse. Outros locais que apresentam a mesma problemática são os conjuntos Fernando Color e Albano Franco.
Já em Aracaju, o Coqueiral e bairros localizados na Zona de Expansão apresentam as principais queixas. Entre eles está o 17 de Março que frequentemente apresenta pontos de alagamento. De acordo com Paulo Soares dos Santos, membro da Associação de Moradores da Zona de Expansão, muitos moradores nas últimas eleições votaram no atual grupo político que administra a capital sergipana na esperança que melhorias fossem conquistadas. "Infelizmente João Alves esteve aqui e nós acreditamos nas promessas dele. Disseram que em seis meses casas populares seriam construídas e repassadas para as famílias carentes. Como nada foi feito, continuamos morando na lama".
Assim como algumas localidades da Piabeta, no Santa Maria, e Mosqueiro os alagamentos continuam interferindo diretamente no dia-a-dia dos aracajuanos. No povoado Areia Branca, bairro Mosqueiro, há 15 dias uma das ruas que dá acesso à marina ficou interditada por dois dias. O fato foi registrado após as fortes chuvas registradas na região. Para Jucilene Aquino, nascida e criada no Mosqueiro, o bairro nunca foi tão abandonado como nos últimos anos. "Desde o início do ano passado que a prefeitura não realiza uma obra aqui. O posto de saúde não funciona como deveria e nos meses de maio, junho e julho, quando chove muito, temos que calçar os equipamentos eletrônicos pra não perder", lamentou.
Providências – Em nota oficial emitida pela Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), foi informado ao JORNAL DO DIA que técnicos municipais estão rastreando diariamente os locais que anualmente registram alagamento. "Por se tratar de um problema geográfico da capital sergipana, a administração municipal está realizando um estudo especializado para resolver definitivamente esse tipo de ocorrência. Caso algum morador registre demora no escoamento, solicitamos que entrem em contato com a prefeitura para que possamos de imediato promover um escoamento mais ágil e eficaz da água".
Outro problema diagnosticado pela prefeitura trata-se do vasto número de lixo jogado nas vias públicas pelos próprios moradores. "A prefeitura promove um serviço de coleta impecável e diário. Parte dessas inundações infelizmente é causada devido ao acúmulo de lixos em bueiros. Dessa forma o escoamento fica mais lento".

