Milton Alves Júnior
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O fluxo de veículos ficou interrompido na manhã de ontem na BR 101, no município de Estância, após um grupo de moradores ter ocupado os dois lados da via. Um dos motivos da mobilização, segundo os líderes do movimento, seria uma possível falta de qualificação dos serviços públicos. Gerando um congestionamento superior a cinco quilômetros em ambos os sentidos, por mais de quatro horas o trânsito ficou inviabilizado e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram até o local a fim de entrar em acordo com os manifestantes. Além dos problemas na saúde, educação e saneamento básico, a falta de segurança na rodovia federal tem contribuído para a geração de acidentes envolvendo, inclusive, pedestres que tentam atravessar a pista.
Esse foi o segundo bloqueio da BR 101, mais precisamente no KM 151, em menos de uma semana. Na última sexta-feira, 11, o mesmo grupo já havia ocupado um lado da via quando representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) compareceram ao ato público e prometeram atender as reivindicações relacionadas à segurança dos transeuntes. Para muitos, é preciso que os órgãos competentes viabilizem em caráter de urgência a construção de um lombada em frente a mini rodoviária da cidade. Na manifestação de ontem as famílias voltaram a exigir a presença de uma comissão de funcionários do DNIT, mas o pleito não foi atendido e isso teria contribuído para que a desobstrução da pista fosse prolongada.
De acordo com o agricultor José Douglas Martins, sem redutores de velocidade ao longo da pista as pessoas que trabalham nas lavouras se arriscam diariamente ao percorrer grandes distâncias nos acostamentos. "Tem alguns lados que essa pista que a gente anda é maior e precisamos atravessar, mas como vamos fazer isso se toda hora tem um caminhão passando. Se botassem quebra-mola, e ou, radares, as pessoas não iriam morrer atropeladas. Chega, cansamos de tanta imprudência dos motoristas e falta de apoio do DNIT", declarou. Segundo cálculos dos manifestantes, de setembro do ano passado até o mês de março seis pessoas morreram após serem atingidas por carros de passeio e carretas.
Melhorias – Pela direção do departamento nacional foi dito que uma série de melhorias está sendo promovida em todo o percurso da rodovia federal que corta o Estado de Sergipe. Entre essas melhorias estão as obras da duplicação que custam aos cofres públicos em torno de um bilhão de reais. Ao todo são mais de 200 quilômetros de serviço na infraestrutura de transporte terrestre onde liga as extremidades Norte e Sul. A perspectiva do governo é que ao final os motoristas e pedestres possam verificar um progresso representativo entre a divisa com Alagoas, e com a Bahia. A direção do DNIT lamentou a segunda mobilização em cinco dias e ressaltou ainda que o trecho mais adiantado da duplicação é o liga a capital, Aracaju, a Estância.
Enquanto os manifestantes rejeitavam entrar em acordo com os oficiais da PRF e insistiam em aguardar os técnicos do DNIT, o chefe de engenharia do órgão, Carlos Alberto Sarmento, informou que um dossiê apontando as irregularidades ainda constatadas será apresentado aos líderes do movimento em uma reunião extraordinária. Nesse encontro, que deve ocorrer já na manhã de hoje, a perspectiva é que possíveis soluções também sejam apresentadas. "É o que esperamos mesmo porque se continuar desse jeito, sem ninguém dar valor para nosso pedido os bloqueios irão continuar. Se nada for apresentado de forma consistente esse mês vamos fechar a pista novamente", afirmou o comerciante Manoel Nunes.


