Mílton Alves Júnior
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A falta de segurança nos ônibus coletivos volta a causar transtornos aos usuários do transporte público na Grande Aracaju. Desta vez, em decorrência do surpreendente aumento do número de assaltos aos veículos, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra) informou que a categoria se mobilizou e decretou o fim do famoso ‘Corujão’, ônibus que circulam durante a madrugada, entre 0h e 4h, em três rotas que servem a diferentes bairros da Grande Aracaju.
A decisão do Sinttra foi divulgada na tarde de ontem, após exatos 64 dias do ‘Corujão’ ter sido reativado pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) de Aracaju. Por mais de um ano o serviço ficou interrompido justamente devido a falta de segurança. "Agora o problema está integralmente nas mãos da SMTT e com a Polícia Militar. Quando a questão segurança for resolvida, a gente volta com o corujão. O que nos conforta é saber que a população está nos apoiando nessa decisão até porque ela é a principal vítima desses assaltos", disse o presidente do sindicato, Miguel Belarmino da Paixão.
Segundo dados da entidade, quase 70 ônibus foram vítimas de meliantes em variados itinerários e horários, até a madrugada de ontem. A média atual é de três ocorrências para cada dia útil do mês, e já supera os registros violentos declarados em todo o mês de Janeiro do ano passado. Só nos primeiros 20 dias do de 2014 dois veículos foram incendiados e uma passageira esfaqueada.
Com as queixas constantes dos passageiros por uma ação mais ostensiva da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), as críticas da população acertam em cheio os principais gestores públicos do estado. Por um lado, o governador Jackson Barreto (PMDB) é questionado por uma possível ausência de militares nas ruas. Já o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), vira motivo de chacota nos terminais de integração e redes sociais pela não realização de promessas feitas durante o período eleitoral de 2012.
Esta é a avaliação feita por passageiros que se dizem cansados de tantos registros de violência. "Eles são os mesmos. Possuem os mesmos nomes, residem nos mesmos locais, mas mudam o caráter no período eleitoral e após assumir o cargo. O João e Jackson em cima de palanques eleitorais são uns, no governo são outros. Tire esses militares dos escritórios e botem na rua, governador! João, deixem os guardas plantados nos terminais e em alguns pontos de ônibus", alertou o carteiro Maurício dos Santos.
Após os ataques promovidos por criminosos na noite da última segunda-feira, 20, rondas da GMA e PM foram intensificadas, mas ainda assim não foi suficiente para intimidar e conter a ousadia dos marginais. Foi justamente essa persistência dos meliantes que forçou o Sinttra a interromper o serviço dos corujões. Para Miguel Belarmino, o sindicato vem recebendo reclamações de motoristas e cobradores quanto ao crescimento dos assaltos desde o final do mês passado. "Não é de hoje que a gente vem alertando o poder público dessa constante falta de segurança e parece que essa primeira quinzena de janeiro foi a gota d’água para os profissionais. Inclusive eles já queriam interromper os serviços às 19h. Conseguimos ‘congelar’ essa ideia, já o corujão não teve jeito", afirmou.
Apesar dos contratempos que serão proporcionados aos que trabalham à noite na Grande Aracaju, há quem aprove a iniciativa do Sinttra e clame por melhorias na segurança. É o caso da estudante de direito, Larissa Costa Guimarães, que estendeu as reclamações e criticou os vereadores que se mostraram a favor do reajuste da tarifa de ônibus com a garantia de um serviço de melhor qualidade em poucos meses. "Disseram que o aumento era preciso e olhe aí o que estamos vivenciando: descaso, desconforto e muito medo na hora de pegar um coletivo. Se eu fosse empresário também recolheria os veículos, apesar de prejudicar muitos trabalhadores e estudantes noturnos", lamentou.


