Ruas da cidade são tomadas pelo lixo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de dois dias sem coleta de lixo na capital sergipana, ontem à tarde funcionários da empresa Torre reiniciaram o serviço de urbanização. O problema, que foi gerado por débitos financeiros e impasses administrativos entre a Torre e a Prefeitura de Aracaju, contribuiu para que a cidade se transformasse nas últimas 48 horas em grande polo de lixo acumulado nas ruas e avenidas. Na tentativa de solucionar o impasse e minimizar os efeitos negativos gerados aos moradores, gestores da Torre e Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) – responsável por administrar esse tipo de serviço, entraram em acordo após reunião realizada no início da manhã.

Pressionada pela direção do Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindilimp), a prefeitura garantiu que os profissionais desse seguimento não serão prejudicados pelo acúmulo de serviços públicos a serem realizados nas próximas horas. Conforme estimativa do governo João Alves, a meta é que a coleta geral seja normalizada até a noite desta quarta-feira. Apesar de a Emsurb ter viabilizado conclusão dos impasses poucas horas após a interdição da coleta urbana, muitos aracajuanos se mostram preocupados com a situação e com a possibilidade deste mesmo problema voltar a prejudicar as comunidades.

Para o comerciante Valdemir Santana, morador da rua Nossa Senhora das Dores, bairro Getulio Vargas, essa não foi a primeira vez que os caminhões de lixo não realizaram a coleta das residências. Paralelo ao desconforto gerado aos moradores, a proliferação de roedores e cobras fica mais propícia. "Digo isso porque em agosto, eu não sei o que aconteceu, passou dois dias sem o caminhão recolher os lixos aqui da vizinhança e todo mundo aqui viu que cresceu o número de ratos. Isso nunca tinha acontecido aqui e por isso digo que me preocupa. Duas ocorrências em menos de seis meses. Se continuar assim vai ser complicado para nós", declarou.

Já na rua Boquim, próximo a abandonada Praça da Bandeira, donos de lanchonetes também se queixavam da irregularidade e exigem que o prefeito esteja atento a esse tipo de descaso público. De acordo com a vendedora Ana Caroline, durante os dois dias de interrupção dos serviços nenhum funcionário da prefeitura foi até o local a fim de debater ações paliativas que solucionassem o caso e não gerasse problemas para os comerciantes. "Ninguém se preocupa com a nossa situação aqui, na realidade isso está mais que na cara porque vocês bem percebem como está essa praça aqui. Seria até estranho uma ação repentina. Mas não custa cobrar atenção porque as vendas poderiam ser prejudicadas", afirmou.

Centro – Na área mais movimentada da capital sergipana nesse período de final de ano a situação é ainda pior. Apesar de a prefeitura ter anunciado que a coleta do lixo já havia reiniciada, onde os centros comerciais seriam prioridade, no início da noite o que os consumidores puderam observar foi um vasto empilhado de restos de comidas e caixas de papelão por todos os cantos. Nas proximidades do Mercado Albano Franco, o cenário era ainda mais preocupante. "Hoje já é quarta-feira e o comércio aqui na feira começa a aumentar por causa do final de semana e chegada de novas cargas. Se continuar assim vai ser horrível pra gente que vende e para os fregueses", lamentou a feirante Angélica Cruz.

Compartilhando com as declarações da colega de profissão, o vendedor Márcio Eduardo ressaltou que não adianta fechar os mercados uma vez por semana para realizar reformas e higienização. "De que adianta fechar as portas para limpar e acabar com os ratos se do lado de fora o lixo só faz acumular? Não adianta nada. Se realmente esse serviço foi reiniciado, então que agilizem aqui no centro porque o problema só faz crescer", afirmou.
Através de nota oficial de esclarecimento a Emsurb informou que, na mesma reunião realizada para debater a problemática, gestores do órgão municipal e representantes da Torre (empresa responsável pelo serviço de coleta de lixo em Aracaju), ficou decidida a regularização do serviço de coleta domiciliar em toda a capital de modo imediato, porém com a prioridade também, para os bairros que compõe a Zona Norte, paralelamente ao Centro.

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