Samba do crioulo doido ou não?

Qualquer dia desses, juro que vou deixar de ouvir rádio porque tem me irritado profundamente a programação musical da maioria das emissoras locais que vêm impingindo aos incautos pagode com os tais pagodeiros de plantão, tipo Tiaguinho, Alexandre Pires, Naldo, Belo (que de belo não tem absolutamente nada) e outros menos cotados. Haja redundância nas paupérrimas letras de suas insossas "melodias". Se eles comem gente mesmo, do jeito que dizem com suas letras, seria o caso de admitir que estamos diante de uma geração de garanhões jamais produzida pela MPB.

Lembro-me que o samba dos bons tempos (assim chamados porque já se foram), cantou, por exemplo, a desobediência civil de forma escancarada, como no clássico "Trabalhar, Eu Não", de Almeidinha, nos idos de 1940: "Trabalho, não tenho nada / De fome não morro, não / Trabalhar, eu não, eu não". E, na mesma linha, "Não Vou Pra Brasília", de Billy Blanco, de 1958 (Não vou, não vou pra Brasília / Nem eu, nem minha família / Não uso argola pendurada no nariz"; e "Opinião", de Zé Kéti, em 1965. "Podem me prender, podem me bater (…) Que eu não mudo de opinião / Daqui do morro eu não saio não!"
O samba falou de Deus, de São Jorge de macumba, de guerra mundial, de filosofia, de político, de maracutaias, de tudo enfim. E é por isso que sou mais o samba de uma época em que neguinho não precisava dizer que comeu um batalhão de mulheres, quietinho ou tocando berrante. Sim, porque esse negócio de dizer que faz e acontece, que deita e rola, que tem "mancha de batom, no casaco de vison" ou na calcinha preta rendada… sei não, viu… é papo de gente mal resolvida sexualmente. Pronto, falei. Gostou, abestado?

Geleia geral
…  Sem dúvida, o programa "Você em Dia, da TV Atalaia, comandado pela dupla dinâmica Jaquelline Cruz/Menilson Filho, ganhou um reforço de peso com a contratação do chef Saulo Cavalcante. Mestre da alquimia gastronômica, Saulo prima pela simplicidade, sem sofisticação, criando pratos no estilo caseiro, mas de muito bom gosto. Quem gosta de cozinhar está aprovando sem restrições. Na minha leiga opinião, Saulo Cavalcante é bem melhor do que o Edu Guedes. Aplausos. De pé.
… Foi memorável o concerto de Patrícia Polayne com a Orquesta Sinfônica de Sergipe, realizado recentemente no Teatro Tobias Barreto. Dona de uma voz afinadíssima e incomum, além de extraordinária expressão corporal, Patrícia, que também é excelente compositora, deixou em êxtase o grande público que superlotou o teatro Ave, Patti!…
… Pega eu e leva pra você..", canta Leonardo. Eu canto também, todas as noites no meu quintal, na esperança de que uma marciana, saindo de um disco voador, me pegue em seus braços e me leve seja lá pra onde for. Infelizmente, logo caio na real e choro até o dia amanhecer, tendo ao meu lado apenas a companhia do meu cãozinho Brad Pitt. Falar nisso, preciso arrumar uma Angelina Jolie pra ele. Com urgência.
… O folhetim global das nove, "Em Família" vai de mal a pior. Entre os mortos e feridos da trama, só a cobra Serafina da Shirley (Viciane Pasmanter) se salva. A Helena de Júlia Lemertz, tadinha, de protagonista virou uma insossa coadjuvante…

A água
"Quanto mais o rio doa a água/ Como fonte eterna ela deságua/ A bondade de matar toda sede infinita. "Amorosa, pg,48 do livro "Baú de Graças.

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