Saúde cardiovascular em pacientes do SUS é falha

O levantamento com 400 pacientes revelou que apenas 32,5% deles tinham a saúde cardiovascular controlada, considerado o controle de, no mínimo, cinco das sete métricas da American Heart Association (AHA).

A cada 90 segundos uma pessoa morre em de corrência de doenças cardiovasculares no Brasil. A estimativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça a importância dos cuidados com a saúde cardiovascular. No entanto, o controle de fatores de risco associados ao infarto e AVC (acidente vascular cerebral) ainda é considerado baixo. É o que atesta um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) na revista científica Frontiers in Cardiovascular Medicine.
O levantamento com 400 pacientes revelou que apenas 32,5% deles tinham a saúde cardiovascular controlada, considerado o controle de, no mínimo, cinco das sete métricas da American Heart Association (AHA). Três delas são apontadas como comportamentos ideais: não fumar, praticar atividade física e fazer dieta. Outras quatro são fatores ideais: índice de massa corporal (IMC), colesterol, pressão arterial e glicose.
O estudo aponta ainda que a maioria da população avaliada (62,75%) apresentou de duas a quatro métricas controladas. Outros 4% atingiram apenas uma métrica, e 0,5% não pontuaram em nenhuma das sete. Por outro lado, apenas 0,75% dos pacientes alcançaram o nível ideal para os sete índices de controle da saúde cardiovascular.
A publicação é resultado da tese de doutorado do professor de Medicina do campus de Lagarto da UFS, Gilberto Andrade Tavares, junto ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), sob orientação do professor José Augusto Barreto Filho. Desde 2007, Gilberto atua como médico de base e emergencista da atenção domiciliar.
Todos os pacientes entrevistados na pesquisa têm mais de 18 anos, são usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), e fazem acompanhamento pelo Programa de Saúde da Família em 23 unidades básicas de saúde de 20 bairros do município de Aracaju/SE.
“Identificamos que a maior parte dos pacientes não está com a pressão controlada, além de estar obesa ou no sobrepeso, que é outro risco não só para doenças cardiovasculares, mas também metabólicas e osteoarticulares, além de câncer,” ressalta Tavares.
Os resultados da pesquisa mostram que 65% dos pacientes não alcançaram o nível ideal de controle da pressão arterial, que é o principal fator de risco para infarto e AVC, por exemplo. Esse percentual sobe para 69% entre as pessoas com índice de massa corporal acima do ideal e para 90% entre aquelas que não tinham uma dieta adequada.

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