Saúde de Aracaju entra em greve hoje

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois dos médicos terem suspendido 70% das atividades em todas as unidades de saúde administradas pela Prefeitura de Aracaju, hoje será a vez dos enfermeiros aderirem ao movimento e dar sequência aos atos públicos que denunciam a falta de pagamento salarial dos servidores da saúde. Com 21 dias de atraso, as categorias lamentam o não repasse do salário de dezembro, o não cumprimento da quitação da segunda parcela do décimo terceiro salário, além das irregularidades no pagamento de terços de férias. A proposta da categoria é de reunir logo mais às 7h30 na entrada principal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que fica instalada no bairro Siqueira Campos.
Os atendimentos nos postos de saúde e nas Upas Nestor Piva (zona norte ) e Fernando Franco (zona sul) serão precários.

A decisão em suspender os serviços foi deliberada na última segunda-feira quando representantes do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE), se reuniram com o prefeito João Alves Filho, onde foi dito que, o pagamento salarial de dezembro deveria ser quitado para todos os servidores até a noite de ontem. Já o salário de janeiro, o prefeito informou que, devido aos problemas financeiros enfrentados pela gestão, este não será quitado dentro do quinto dia útil de fevereiro como determina a Constituição Federal. As categorias enaltecem que os servidores da atual administração municipal estão vivendo um tempo em que o pagamento dos salários são pagos por letras.
Para Shirley Morales, presidente do SEESE, é preciso que a população esteja atenta a todos os descumprimentos constitucionais que o prefeito João Alves e os secretários da Saúde, Luciano Paz, e Jair Araújo, da Fazenda, estão realizando contra a classe trabalhadora. "Infelizmente a prefeitura começa o ano sem cumprir com as obrigações, assim como fez na maior parte do ano passado. Infelizmente as contas, inclusive da própria prefeitura, chegam a cada instante e os servidores infelizmente não têm como quita-las. Precisamos do apoio dos usuários do Sistema Único de Saúde aqui de Aracaju para combater essa péssima administração municipal que só gera problemas para os pacientes e servidores", declarou.
Paralelo às mobilizações realizadas nas intermediações da Secretaria de Saúde, a partir de hoje as Unidades de Pronto Atendimento deixam de atender de forma integral todos os usuários do SUS que por ventura busquem o atendimento especializado nos ‘horários estendidos’ criados pelo próprio governo João Alves. O bloqueio temporário ocorre devido ao não pagamento das horas extras cumpridas por dezenas de enfermeiros que chegam a enfrentar todos os dias até três horas a mais da carga horária. A esperança, segundo a sindicalista, é que todos os débitos sejam quitados dentro do mês vigente a fim de evitar maiores transtornos para a população aracajuana e para as famílias dos trabalhadores.

"Todos estão se mobilizando para pressionar a prefeitura na expectativa de o prefeito passar a respeitar os prazos. Se hoje vamos novamente às ruas é porque não estamos conseguindo encontrar uma luz no fundo do túnel para toda essa problemática. Se a ideia de campanha dele era resolver os problemas da saúde em até 100 dias de gestão, dá pra perceber que depois de três anos ele ainda não cumpriu o que havia prometido", pontuou Morales. O desejo de regularização, ao menos o que indica a Prefeitura de Aracaju, não será cumprida em janeiro. Isso porque a municipal informou que a situação financeira de Aracaju é crítica, e só a partir de março, ou abril, é que os débitos podem começar a ser quitados dentro do que manda a legislação.

Médicos – Reunidos na entrada principal do Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, os médicos realizaram uma manifestação a fim de protestar contra os problemas gerados pela atual gestão. Segundo a categoria, Aracaju é a única capital do Nordeste, e uma das únicas do Brasil que ainda não pagou aos servidores. Ou seja, os profissionais da medicina também estão sem receber os respectivos salários desde a quitação do mês de novembro. Na avaliação do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), a explicação da queda da arrecadação não chega a ser convincente porque a prefeitura até o momento não ultrapassou o limite responsabilidade fiscal.

Para José dos Santos Menezes, presidente do Sindimed, o prefeito tem humilhado os profissionais da saúde e os pacientes que necessitam de uma saúde pública de qualidade. "Vivemos hoje uma das piores fases das últimas décadas. Os trabalhadores e a população que acreditou nas soluções para os problemas sofrem com o descaso. Hoje o caos é em todos os setores e a culpa é da administração que aí está. Se continuar assim, uma greve geral pode ser deflagrada", afirmou. Uma assembleia coletiva está prevista para ocorrer no próximo dia 29, último dia útil deste mês. Caso o pagamento salarial de janeiro não seja quitado dentro do mês, enfermeiros, médicos, nutricionistas e demais profissionais da saúde pretendem suspender as atividades por tempo indeterminado.

Compartilhe esta notícia