Saúde vai propor testes de sífilis em exames periódicos

Gabriel Damásio


A Secretaria Estadual da Saúde (SES) deve lançar nesta semana uma nova ofensiva para tentar derrubar os casos de sífilis e sífilis congênita em Sergipe, cujos números são motivos de preocupação para autoridades e especialistas do setor. Uma das estratégias será capacitar médicos do trabalho e reunir representantes das empresas com técnicos da coordenação estadual de IST e Aids do órgão. O objetivo é propor que as empresas recomendem a inclusão dos testes rápidos de sífilis na lista de exames periódicos para os funcionários, principalmente homens. E que, nos casos de resultado positivo, estes funcionários sejam imediatamente encaminhados para tratamento.

Um destes encontros será com o Serviço Social da Indústria (Sesi), em data ainda a ser confirmada. De acordo com o médico Almir Santana, coordenador do Programa Estadual de Combate às ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e Aids da SES, o Sesi está concluindo um material informativo que será distribuído na campanha em parceria com a secretaria. Esta campanha pretende incentivar principalmente os homens façam os testes rápidos de sífilis e participem dos exames pré-natais de suas companheiras que estejam grávidas. “Queremos que o homem faça o pré-natal junto com a mulher, porque ele também é responsável pela criança e é quem mais transmite o agente da sífilis para a mulher”, diz o coordenador, que fala também em “mexer com os outros setores da sociedade” para combater a doença.

Ao JORNAL DO DIA, Almir considerou que a estratégia é inédita no Brasil e mostra-se “extremamente necessária”, devido ao alto número de casos registrados no estado. A média dos últimos cinco anos é de 300 novos casos da doença por ano, sendo que, em 2017 e até o momento, foram 222 registros de sífilis em bebês e 246 em gestantes. Almir destaca ainda um fator mais grave: “Quase 40% das gestantes com sífilis foram diagnosticadas na maternidade. Isso mostra que o diagnóstico está sendo tardio, eram para ser diagnosticadas na atenção básica, durante o pré-natal. Se a gestante descobre a sífilis tarde, o tratamento fica mais difícil e o bebê nasce com sífilis”, alertou.

A doença é causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida através das relações sexuais sem o uso do preservativo. Em adultos, ela pode causar lesões graves no coração, no cérebro e no sistema nervoso, caso não haja o tratamento adequado. Já os bebês são afetados pela sífilis congênita, na qual a bactéria é transmitida da mãe para o feto, com risco de aborto espontâneo, má-formação do feto ou morte da criança durante o parto. “Pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental”, explica Almir.

O tratamento contra a sífilis, se ela for diagnosticada no tempo certo, é considerado simples, através da Penicilina Benzatina para os adultos e da Penicilina Cristalina para as crianças. Já as únicas formas de prevenção para os adultos é o uso do preservativo masculino ou feminino nas relações sexuais. Já as gestantes devem realizar o exame pré-natal, no qual o teste de detecção da bactéria está presente. O médico da SES admite que o diagnóstico tardio dos casos de sífilis é causado também por deficiências nas redes de atenção básica, que são de responsabilidade das prefeituras.

“Orientamos os municípios que criassem um grupo de trabalho local para analisar cada caso de sífilis em gestantes e em crianças, com o objetivo de descobrir as falhas no pré-natal e as devidas correções. Praticamente, quase nenhum município está analisando as suas falhas do pré-natal e realizando as devidas correções. O tratamento do parceiro sexual da gestante continua um desafio. Municípios que foram capacitados na realização dos testes rápidos estão ofertando pouquíssimos testes à população”, escreveu Almir, em artigo recente publicado em seu blog.

Ao JORNAL DO DIA, o coordenador ressaltou que, apesar da “preocupante” média alta de casos, o caso de Sergipe “não se enquadra como epidemia” e que a Saúde Estadual vem fazendo sua parte no combate à doença, capacitando os técnicos e agentes de saúde dos municípios para captar e detectar gestantes para realizar o pré-natal, conseguindo alguma redução dos casos em Aracaju e alguns municípios do interior. 


A SÍFILIS EM SERGIPE


CASOS

BEBÊS

GESTANTES

2013

378

276

2014

379

325

2015

369

365

2016

308

321

2017

(até 20/10)

222

246

Fonte: Programa Estadual de IST/Aids da SES

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