SE registra 3.303 casos de Aids em 26 anos

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Desde o surgimento da Aids em Sergipe, em 1987, até dezembro do ano passado, foram registrados 3.303 casos da doença no estado, com 1.076 óbitos gerados por implicações relacionadas à  Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
"Os casos predominam em pessoas heterossexuais (pessoas casadas) e em homossexuais. A vulnerabilidade maior está em pessoas que vivem em situação de pobreza. A Aids hoje não é apenas um problema de saúde pública. É também um  problema  social", informa o médico e gerente do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Almir Santana.
O médico destaca que antes dos medicamentos antirretrovirais, o índice de letalidade em consequência da Aids era alto, com expectativa de vida de pacientes entre de 1 a 2 anos, mas que a partir de 1996 houve uma mudança significativa no tratamento dos casos.   
"Hoje, com o grande número de medicamentos antirretrovirais, a expectativa de vida melhorou consideravelmente. Atualmente, as mortes em consequência da Aids só ocorrem quando o diagnóstico é feito tardiamente ou quando a pessoa interrompe o tratamento", enfatiza.
Ele destaca que entre os avanços no tratamento da doença, os novos medicamentos têm dado excelentes resultados na melhoria da qualidade de vida e que a combinação de novas drogas está contribuindo para a redução das doses diárias, o que tem facilitado a adesão ao tratamento e aumentando a expectativa de vida das pessoas em tratamento.
Sobre a rede de atendimento para fazer o controle da doença, a exemplo do acesso a medicamentos, instituições de acolhimentos e ações preventivas, o médico explica que o diagnóstico do HIV em Sergipe melhorou muito.

Ele destaca que medidas como a capacitação de profissionais da Atenção Básica na realização do teste rápido é um exemplo. "Já temos 64 municípios que podem realizar o diagnóstico", aponta. A assistência às pessoas com HIV/Aids é realizada pelo Serviço Ambulatorial Especializado (SAE), localizado no Cemar da Rua Bahia, no bairro Siqueira Campos (serviço mantido pela Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju). Também existe o atendimento ambulatorial no Hospital Universitário (HU).

Os casos de Urgência/Emergência são atendidos no Hospital de Urgência de Sergipe, no Hospital Universitário e nos hospitais regionais. Almir Santana ressalta que o acesso aos medicamentos específicos (antirretrovirais) ocorre também no Cemar, citando ainda que existem as maternidades que atendem as gestantes soropositivas (maternidades regionais) e a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, responsável pelos casos de gravidez de risco e pelo atendimento dos casos de violência sexual.
"O nosso estado lançou também um serviço itinerante que tem dado importantes resultados: A Unidade Móvel "Fique Sabendo" que foi criada em 2012, vem disponibilizando os testes de HIV, sífilis e hepatites virais B e C. O micro-ônibus adaptado tem duas salas de aconselhamento, uma sala para execução dos procedimentos e vem facilitando o acesso aos testes rápidos junto às populações mais vulneráveis e de difícil acesso em povoados, rodovias e em situação de pobreza", exemplifica.
Sobre as instituições de acolhimento, o médico informa que em Sergipe existem duas casas de apoio que cuidam das pessoas que vivem com HIV/Aids: A Casa de Apoio Bom Samaritano e a Casa de Apoio Janaina Dutra. As ações preventivas são realizadas por equipes da SES, pelas Secretarias Municipais de Saúde e de Educação e por diversas instituições da Sociedade Civil.

Em relação à discriminação, Almir Santana chama a atenção de que houve uma diminuição em Sergipe. "A sociedade tem sido bem mais solidária do que no início da epidemia. Uma prova disso foi a recente Gincana Solidária "Mãos Amigas". Pela primeira vez, a Gincana contemplou uma entidade ligada às pessoas que vivem com HIV/Aids. A Equipe Verde, composta por vários segmentos da sociedade (empresários, instituições e pessoas representativas da sociedade), procurou, com muito empenho e dedicação, a obtenção de recursos financeiros e serviços que pudessem melhorar não apenas a estrutura física da Casa de Apoio Bom Samaritano, como também a assistência oferecida às pessoas soropositivas e que vivem em situação de pobreza.
Sobre a prevenção da doença, Almir Santana destaca que existem importantes avanços, com a disponibilização dos preservativos nas unidades básicas de saúde e várias campanhas e mobilizações relacionadas ao tema. O médico aponta que a grande novidade é o uso do tratamento como prevenção. "O tratamento das gestantes soropositivas vem reduzindo cada vez mais a transmissão do HIV para o feto ou recém-nascido. O uso de medicamentos na redução da transmissão sexual do HIV já está sendo adotado pelo nosso estado. Os medicamentos diminuem a carga viral e, consequentemente, a transmissão do HIV", ressalta.

Ele aponta como um dos maiores desafios em relação à doença, o fato de uma parte da população ainda não está dando muita importância à Aids. "Estão reduzindo as atitudes de prevenção, isto é, existem pessoas abandonando o uso do preservativo tanto nas relações sexuais ocasionais com nos relacionamentos duradouros. Um grande desafio é a prevenção junto às mulheres casadas. Também muitos homens casados se relacionam sexualmente com outros homens e não querem usar a camisinha. Há a necessidade de atitudes mais firmes das pessoas com relação à prevenção. As informações existem. As camisinhas estão disponíveis mas nem todo mundo quer se prevenir. Outro desafio é envolver cada vez mais os municípios de Sergipe na prevenção e na assistência às pessoas com HIV", alerta.

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