A falta de chuvas já começa a causar problemas em algumas cidades do semiárido de Sergipe. Quinze cidades já tiveram a situação de emergência decretada pelas prefeituras ou reconhecida pelo governo federal. A mais recente foi Gararu, no Médio Sertão. Os reflexos já começaram a ser sentidos no campo. Estima-se que o prejuízo causado pode passar de R$ 200 milhões, apenas com o que deixou de circular na economia sergipana, além de R$ 78 milhões de prejuízos diretos.
O presidente da Federação da Agricultura de Sergipe, Ivan Sobral, estima que quase toda a produção de milho e feijão prevista para este ano foi prejudicada, assim como parte da produção de carne, leite e derivados. "Nem adianta chover agora, não dá mais pra recuperar o que foi plantado. Essas lavouras já foram totalmente perdidas. Tem municípios que perderam 100% da safra e não podem mais produzir nada, porque foram afetados severamente pela estiagem", disse Ivan Sobral, afirmando que os produtores rurais estão sendo orientados a buscar crédito junto aos bancos para tentar alimentar o gado e minimizar os prejuízos.
A Defesa Civil Estadual monitora a situação e mobilizou 67 caminhões-pipa do Exército e do próprio Estado para a distribuição de água nos municípios. De acordo com o tenente-coronel Alexandre José Alves, a meteorologia prevê que a seca deve continuar no segundo semestre em Sergipe. "Infelizmente, a gente sabe que o sistema El Niño vai atuar durante esse período no Brasil. E a estiagem vai aumentar sensivelmente em todo o semiárido brasileiro, o que deve agravar ainda mais os prejuízos" admitiu o diretor.
Sergipe Já tinha enfrentado uma seca grave em 2016, quando mais de 20 cidades decretaram estado de emergência. O problema também está afetando outros estados nordestinos, como Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará.


