Milton Alves Júnior
Definitivamente não foi um ano fácil para grupos de pequeno e grande porte empresarial no Estado de Sergipe. Faltando menos de dois meses e meio para o término de mais uma translação completa em torno do sol, 2017 já pode ser considerado o ano com o maior índice de incêndios e destruições de massa em estabelecimentos comerciais situados em um dos quatro cantos do estado. Em meio aos prejuízos bilionários, multiplicados de forma avassaladora no primeiro trimestre, se salvaram aqueles empreendedores que buscaram se imunizar de tragédias e proteger o respectivo bem patrimonial. A intervenção pós-sinistro por parte das seguradoras contribuiu para que os estragos fossem, ao menos, minimizados.
O cartão negativo de visita não demorou a chegar. Impactante, o incêndio que atingiu a unidade Makro/Aracaju no dia 09 de janeiro serviu de alerta para a importância da aquisição, ou renovação de seguros. Após 12 dias de combate às chamas e sucessivas tentativas de esfriamento generalizado do solo, peritos identificaram destruição superior a 95% da unidade. Protegido pela modalidade all risks – a qual oferta ao assegurado o valor máximo para o maior dano possível, o grupo recebeu uma indenização de aproximadamente dois bilhões de reais, sendo dividida em mais de 800 milhões em avarias, mercadorias e mais de 900 milhões de lucros cessantes, além de outros 12 milhões para responsabilidade civil.
Seis dias após o sinistro do Makro, nova ocorrência. Panes elétricas provocaram chamas que atingiram uma fábrica de colchões no bairro Porto Dantas, zona norte da capital. Paralelo à irregularidade na fiação e ausência de sistema hidráulico de combate a incêndios, o armazenamento de materiais combustíveis, como espuma, plástico, tecido, madeira e vários tonéis de líquidos inflamáveis, contribuiu para o agravamento do sinistro. Já no dia 17, ainda no mês de janeiro, dois galpões, um situado no bairro Industrial de Aracaju, e o outro no conjunto Rosa Elze, município de São Cristóvão, também foram parcialmente destruídos por incêndio. Os três estabelecimentos receberam o amparo dos seguros, os quais, juntos, contabilizaram uma injeção financeira orçada na casa dos dez milhões e 700 mil reais destinados à reconstrução das áreas danificadas.
Convicto quanto ao protagonismo do setor neste ano, o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de Sergipe, Érico Melo, apresenta os fatos como melhor carta publicitária a favor da corretagem. Crítico diante da postura desmazelada adotada por grande parte dos brasileiros, o especialista aponta para mudança histórica na tradição nacional. “É perceptível que o nosso povo tem mudado paulatinamente de postura, mas ainda deixa tudo para a última hora; isso ocorre, inclusive, com o seguro. Se prendem na esperança que nenhum acidente possa ocorrer ao seu bem e deixam de lado a garantia de manter protegido o próprio patrimônio. Triste por um lado, não se pode negar que esses incêndios serviram para destacar a importância da busca pelos amparos ofertados pelo Seguro Nacional”, avaliou.
Ainda no mês de janeiro um princípio de incêndio foi registrado no restaurante Sal e Brasa, situado na Orla de Atalaia de Aracaju. Diante da vasta fumaça predominante na área, três equipes de suporte do Corpo de Bombeiros Militar se dirigiram até o local para cessar os estragos iniciados na chaminé do estabelecimento comercial. Apesar da não gravidade do sinistro, peritos do grupo segurador também foram convocados e se dispuseram a acionar a apólice em caráter emergencial. Entre os meses de fevereiro e maio mais seis unidades comerciais foram atingidas por incêndio e puderam contar com a assistência de seguradoras.
Paralelo às cidades de Aracaju, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro, a intervenção dos grupos de proteção ao assegurado atuaram este ano nos municípios sergipanos de: Barra dos Coqueiros, Itabaiana, Lagarto, Estância, Itaporanga D’Ajuda e Ilha das Flores. Nesta última cidade o fato ocorreu no dia 21 de agosto quando as chamas destruíram uma loja e afetou duas residências vizinhas, situadas na Rua Barão do Rio Branco, centro da cidade. “Todas as empresas que sofreram com este tipo de dano foram cobertas pelo contrato. Essa é a nossa missão. Esperamos que no próximo ano possamos multiplicar a área de atendimento e que outros sergipanos possam manter vivo o respectivo bem patrimonial”, pontuou Érico.


