Gabriel Damásio
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As fugas e incidentes registrados nos últimos dias no Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul), podem estar sendo incitadas por pessoas de dentro e de fora da unidade, incluindo comunicadores que atuam na região. Esta suspeita está sendo investigada pela Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), que registrou conversas mantidas estes suspeitos e detentos da unidade, através do WhatsApp (rede social por telefones celulares). A informação foi confirmada ontem de manhã pelo porta-voz da secretaria, Marinho Tiba, em entrevistas para emissoras de rádio da capital.
O episódio vem à tona após uma nova fuga no Premabas, ocorrida por volta das 19h de ontem. Cinco detentos, sendo quatro do Pavilhão 6 e um do Pavilhão 5, saíram das celas e conseguiram escalar as muralhas usando uma corda improvisada com lençóis, conhecida como ‘tereza’. Depois, eles passaram por uma guarita de segurança que estava desativada e, segundo a Sejuc, seria ocupada cerca de uma hora depois por um agente penitenciário. A fuga ocorreu no dia seguinte à saída dos militares da Força Nacional de Segurança, que estavam em Tobias desde o dia 11 de junho e retornaram a Brasília neste domingo.
Esta foi a terceira fuga em menos de um mês no presídio de Tobias. Ao todo, e somando com a fuga de segunda-feira, 64 internos já escaparam do Premabas, sendo 47 na madrugada de 11 de junho, durante a greve dos agentes penitenciários, e outros 12 no dia 3 de julho, com a presença da Força Nacional – então convocada pelo governador Jackson Barreto (PMDB) para reforçar a segurança dos presídios na falta dos agentes. Deste total, 33 presos já foram recapturados.
Ao falar sobre a fuga de anteontem, Marinho destacou o fato dos detentos terem saído do presídio cerca de 40 minutos antes da guarita ter sido ativada, o que foi confirmado pela direção do Premabas. "O que a Secretaria de Justiça está fazendo, e agora de forma bem mais forte, é averiguar. Os presos estão sabendo o que está acontecendo [lá dentro]. Não estou culpando A ou B, mas tem muita coisa aí. As coisas que estão acontecendo, especialmente em Tobias Barreto, são de se apurar a fundo e responsabilizar as pessoas que estão por trás disso", disse o porta-voz.
Marinho referiu-se principalmente à divulgação de um vídeo que mostra a fuga em massa do dia 11 de junho. Ele foi gravado com um telefone celular, supostamente por um dos fugitivos, e divulgado no último dia 4, pouco depois da segunda fuga. "Eu printei [imprimi] ontem alguns comentários em um grupo do WhatsApp que merecem ser levados ao conhecimento do secretário Valter Lima, para que sejam apurados.
Um deles diz que um radialista da região de Tobias Barreto recebeu em primeira mão o vídeo da fuga. Como é que ele recebeu esse vídeo da fuga? Como um presidiário filma a fuga e vai postar na rede social? É estranho. Muito estranho. Acho que, se você é um presidiário, você não vai querer se expor em rede social? Não estou acusando ninguém, mas as atitudes são suspeitas". questiona o assessor.
O vídeo da fuga e os comentários correlatos nas redes sociais estão sob análise da Gerência de Tecnologia da Sejuc, podendo provocar até a abertura de um inquérito policial. Tiba afirma que os autores da divulgação do vídeo da fuga podem estar cometendo crime. "É crime! Isso é apologia ao crime. Estão instigando a sociedade e os agentes. O momento é delicado por conta do momento político. A gente precisa apurar isso a fundo e dar nome aos bois", concluiu.
Transferência – A Sejuc confirmou também que vai pedir a transferência emergencial de alguns detentos do Premabas para outros presídios. Segundo o órgão, a segurança do presídio está fragilizada por causa de rebeliões recentes que destruíram a estrutura física, principalmente grades e cercas. O pedido deve ser feito formalmente à Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça (TJSE), através da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Se o pedido for acatado, o governo deve fazer uma reforma emergencial na unidade prisional, a fim de recompor a estrutura e reforçar a segurança.
Discute-se ainda dentro do governo a abertura de um concurso público para preencher 400 vagas no quadro de agentes penitenciários da Sejuc – uma das principais reivindicações do sindicato da categoria, que aponta um déficit de 1.200 servidores para garantir a segurança das oito unidades prisionais do estado. A previsão é de um edital seja preparado até o final deste ano.


