Rian Santos
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Não adianta bater à porta do último homem educado da cidade. O coitado entregou os pontos. Dizem que acariciou o passeio, arrastado pelo cachorro mais ansioso que já aliviou a bexiga na curva do Iate, depois se trancou no terceiro andar dos olhos cansados e atirou a chave pela janela.
Também pudera. Nos jornais da província, nenhuma notícia de terra civilizada. O último homem educado da cidade não aguentou o mundo de cabeça pra baixo na banca de revistas. Foi ao cinema, mas os personagens do filme, ao contrário dos expectadores, esqueceram as falas, adotaram um português mediúnico e cheio de pompa, como marionetes atadas a entidades sem cara. Levantou, sem entender nada. Foi embora antes da sessão terminar.
Consta que o jornalista Ivan Valença não sabia do exílio quando resumiu a peleja na coluna publicada pelo portal Infonet: "É imperdoável a sacanagem que o circuito Cinemark aprontou com os espectadores de Aracaju: o filme "Django Livre" terá apenas 3 sessões diárias, em uma cópia dublada".
Foi a gota d’água. Fim da linha para o último homem educado da cidade. Esculachado no meio da rua, interditada para desfrute dos tambores de outra aldeia, renunciou às filas e ao susto de tocaia na faixa de pedestres. Às vezes, uma sinfonia transborda de seu apartamento e anima a estátua de Sílvio Romero, plantada na Praça Camerino, mas o gigante de bronze se recusa a descer do pedestal. As Valquírias de Wagner tropeçam nas crateras de pedras portuguesas. O Rio Sergipe, às suas costas, não o deixa se enganar.


