Milton Alves Júnior
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Servidores públicos e terceirizados da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) e Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) permanecem com as atividades paralisadas em decorrência da falta de pagamento salarial referente ao mês de agosto. Além disso, dívidas com ticket alimentação e crédito para transporte público também contribuíram para que mais de 800 profissionais suspendessem os serviços operacionais, a exemplo dos programas ‘Cata Bagulho’ e ‘Rodando no Macio’. Essa é a quinta vez em menos de oito meses que a classe trabalhadora enfrenta o mesmo problema junto a Prefeitura de Aracaju.
Por meio de nota da Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz), o prefeito João Alves Filho garantiu que as dívidas seriam quitadas integralmente no dia de ontem. Por se tratar de transição bancária, expectativa por parte dos servidores da Emsurb e Emurb era que os recursos financeiros fossem depositados ainda durante a madrugada, mas o fato, mais uma vez, não ocorreu. Diante disso, os trabalhadores pretendem promover uma marcha por ruas e avenidas de Aracaju como forma de repúdio ao descaso. Caso a situação não seja normalizada ainda nesta manhã, o grupo pretende promover um acampamento em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas da Administração Direta de Aracaju (SEAME), Claudio Leite, até ontem à tarde parte dos trabalhadores apenas foi contemplada com o benefício de vale transportes. Na avaliação do sindicalista, esta atitude trata-se de uma medida ‘desumana’ e ‘lamentável’. "O que a gente acha engraçado é que o salário a prefeitura não paga, mas os vales transportes, que é pra ninguém ter desculpa e faltar ao emprego, já começaram a ser pagos. Quero ver até quando vamos ter que enfrentar essa humilhação. Já são cinco meses enfrentando esse atraso desleal com aquele que trabalha pelo desenvolvimento da cidade", avaliou.
A direção do SEAME confirmou que outros atos semelhantes irão acontecer na cidade todas as vezes que o prefeito decidir pagar o salario dos trabalhadores com atraso. A perspectiva é pressionar os gestores municipais para que esta prática que incomoda centenas de trabalhadores seja extinta pelo Governo João Alves. "Nunca vivenciamos momentos tão instáveis como ocorre nestes últimos anos em Aracaju. Se virou moda atrasar salário, a gente para as atividades até que sejam depositados. Infelizmente esse é o jeito de protestar contra esse desrespeito que vem sendo adotado contra as famílias que tanto necessitam dessa renda para se manter".
No entendimento de Adelson dos Santos, servidor público há 27 anos, os gestores municipais, em especial aqueles que administram os departamentos financeiros, não se importam com os impasses vivenciados por trabalhadores de baixa renda aquisitiva. "A nossa realidade é muito difícil. Você trabalha o mês todo para chegar no final e receber seu dinheirinho e pagar as dívidas. O que acontece aqui em Aracaju desde que João entrou é que a gente não sabe quando vai receber o salário. Hoje já é dia 10, completamos um terço da carga mensal e ainda estamos nessa ‘pendenga’. Tem momentos que não dá mais para suportar e por isso estamos reivindicando nossos direitos. Se não pagar vamos para a porta da prefeitura protestar e mostrar a verdadeira situação que as propagandas da prefeitura tentam esconder", afirmou.
Na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), o vereador Emmanuel Nascimento (PT), em posse do Jornal do Dia, reforçou o apoio aos trabalhadores. "Me solidarizo com os amigos servidores da prefeitura que ainda não receberam os salários. Junto-me a causa dos profissionais da Emsurb e Emurb para questionar o prefeito o porquê do pagamento ainda permanecer em atraso", discursou.


