Kátia Azevedo
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Cerca de 700 trabalhadores que executam serviços de limpeza em unidades de saúde de todo o estado paralisaram as atividades desde ontem em protesto ao atraso salarial que já dura quase dois meses.
De acordo com o sindicato da categoria, o problema foi gerado por um impasse financeiro entre a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) e a empresa Multiserv, que presta serviço terceirizado ao governo.
Em protesto à situação, os trabalhadores acamparam em frente ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) nas primeiras horas da manhã de ontem. Eles afirmam que só retornam ao trabalho após uma solução sobre o problema. "Os trabalhadores estão sem receber os salários há quase dois meses. O pagamento do ticket alimentação também está atrasado. Muitas pessoas já enfrentam dificuldades", relata Alexandro dos Santos, representante do Sindicato dos Empregados de Condomínios, Asseio e Conservação do Estado de Sergipe (Sindecese).
Ele informou que além do Huse, as atividades estão suspensas em outras unidades de saúde como a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Alexandro ressalta que enquanto os pagamentos não forem feitos, somente 30% dos trabalhadores vão executar as atividades.
Segundo conta Alexandro, a empresa Multiserv informou aos agentes de limpeza que a FHS não está pagando pelos serviços prestados, o que gerou uma dívida que chega a quase R$ 6 milhões correspondentes a três faturas relacionadas aos meses de abril, maio e junho.
Durante a manifestação realizada na manhã de ontem, os profissionais utilizaram apitos pretos e verdes para chamar a atenção da população sobre o retrocesso relacionado à prática crescente da violação de direitos trabalhistas e a esperança de uma possível solução para o problema.
"Estamos aguardando os prazos legais, oficializando as partes sobre a paralisação para no momento oportuno entrar com uma Ação Civil Pública cobrando providências jurídicas. Entretanto, nosso grande interesse é que seja respeitado o direito do trabalhador, que já prestou o serviço e precisa receber o seu salário", disse Alexandro.
Na segunda-feira foi realizada uma paralisação de advertência na unidade hospitalar de alta complexidade. Alexandro informou que se o pagamento não for realizado até hoje, a categoria vai acionar o Ministério Público do Trabalho. Ainda segundo ele, são três meses de atrasos [abril, maio e junho] o que já vai um montante de R$ 5,8 milhões de repasse que a Fundação deve à empresa.
A diretoria da FHS informou que vem realizando pagamentos regulares à Multiserv pela prestação de serviços. O órgão também esclareceu que não tem vínculo empregatício com os funcionários da empresa.
No final da tarde de ontem, os trabalhadores se reuniram para discutir o andamento da mobilização com representantes da Força Sindical e do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública (Sindilimp). A equipe de reportagem procurou a direção da Multiserv, mas foi informada por funcionários da empresa de que a pessoa encarregada não estava no momento. Um número de telefone foi disponibilizado, mas ninguém atendeu.


