Menor invade casa e toma quatro reféns na Aruana

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Quatro pessoas de uma mesma família, sendo um casal de idosos e dois adolescentes de 16 e 17 anos, ficou cerca de uma hora sob ameaças de um adolescente de 17 anos que invadiu a casa deles na Avenida Melício Machado, bairro Aruana (zona de expansão), por volta das 10h de ontem. O bandido tomou as vítimas como reféns depois de fugir de uma abordagem de soldados da 2ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Militar (2ª Cia/1º BPM). Mesmo ferido por um tiro na perna, ele ficou cercado na casa dos idosos durante cerca de uma hora e se entregou depois de negociar com os próprios PMs e com a mãe dele, que também compareceu ao local do fato.

De acordo com o porta-voz da PM, tenente-coronel Paulo César Paiva, o menor é fugitivo do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) e, naquela manhã, tinha acabado de assaltar um pedestre quando foi flagrado pelos policiais em atitude suspeita. "Eles se depararam com um elemento que estava em uma Shineray vermelha e se deslocava pela contramão de direção na própria avenida Melício Machado. Os policiais se prepararam para a abordagem e, para a surpresa da guarnição, ele sacou um revólver calibre 38 e tentou disparar contra a guarnição. Para nossa sorte, a munição picotou e não deflagrou", disse Paiva, ao descrever a reação do adolescente.

Um dos militares reagiu e conseguiu ferir a perna do oponente com outro tiro. Mesmo assim, o suspeito subiu no telhado de uma das casas da avenida e continuou fugindo até entrar de arma em punho na casa dos idosos. As vitimas ficaram muito assustadas. "Foi muito feio. Ele saltou ali [na sala] com um revolvão (sic) na mão, nos pés dos meus netos e falou: ‘Fica calmo que eu não vou fazer nada com vocês não. Eu quero me livrar desses caras [policiais] lá fora, porque eles querem me matar’. Aí ele não fez nada de agressivo com a gente. Até ajudei amarrar as pernas dele em dois lugares", contou o aposentado João dos Santos, 80 anos, relatando que o menor não fez nada com os reféns, mas não queria se entregar.

As negociações começaram com os próprios policiais da 2ª Cia, que foram reforçados por outros policiais do 1º BPM e da Companhia de Policiamento de Radiopatrulha (CPRp). O menor pediu a presença da mãe para se entregar, o que foi atendido pelos policiais. Depois que a mãe foi contatada por telefone e trazida pelos PMs, o adolescente jogou a arma em um beco e se rendeu. Ele foi preso e levado primeiro para a Delegacia Especial de Proteção à Criança e Adolescente (Depca), depois para ser medicado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), ambos no Capucho (zona oeste). Os reféns, por sua vez, não sofreram nenhum ferimento ou dano.

Segundo o tenente-coronel Paiva, o adolescente é o mesmo autor de dois assassinatos ocorridos em 21 de janeiro de 2012, dentro do circuito do Pré-Caju, na Avenida Beira-Mar. Na ocasião, ele tinha 15 anos de idade e admitiu ter esfaqueado os estudantes Romário Santos Soares, morto na esquina com a Francisco Porto, e Cleverlan Rubens Santos Pedrosa, atacado próximo à ponte de acesso à Coroa do Meio. Ao ser apreendido, em 16 de fevereiro do mesmo ano, depois de tentar roubar um soldado da PM na Atalaia (zona sul), o menor confessou os crimes. Ele chegou a cumprir medida socioeducativa no Cenam, mas fugiu no ano passado.

Já a arma do crime de ontem, de acordo com a polícia, foi roubada em 17 de julho último, durante o assalto a um vigilante do Centro de Arte e Cultura da Orla de Atalaia. O revólver foi recuperado, com quatro munições. A suspeita de que ele teria agido com outros comparsas ainda está sendo investigada.

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