Milton Alves Júnior
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Há mais de dois meses sem receber salários, profissionais que trabalham nos variados serviços gerais das escolas municipais da capital sergipana promoveram na manhã de ontem um ato público com o propósito de pressionar a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Aglomerados na Praça General Valadão, Centro, a classe trabalhadora quer chamar a atenção para a falta de cumprimento por parte da PMA. Diante do problema, a categoria garante só reiniciar as atividades colegiais após a quitação de pelo menos um dos meses em atraso.
Em nota, a Semed informou que houve um problema de fluxo de caixa, mas que o impasse está sendo resolvido, mas uma data para o possível pagamento não foi apresentada. Enquanto os salários de junho e julho não são pagos, os trabalhadores seguem com a realização de manifestações e, já na tarde de ontem, seguiram até o aeroporto Santa Maria, zona Sul da capital, para recepcionar de forma nada agradável o prefeito João Alves Filho. Na avaliação do Sindicato dos Empregados de Condomínios e Empresas de Asseio e Conservação de Sergipe (Sindecese), é inadmissível que o chefe do executivo municipal permita que erros dessa natureza continuem prejudicando centenas de famílias.
Para piorar a situação, Diego dos Santos, diretor do Sindecese, denuncia uma possível inadimplência promovida pela PMA diante de empresas terceirizadas. Sem receio de sofrer retaliações, ele garante que a Prefeitura de Aracaju está há seis meses sem fazer o repasse do recurso para a empresa prestadora de serviço. A série de manifestações articuladas pelos trabalhadores dos serviços gerais ocorre justamente na mesma semana em que professores da rede municipal também realizaram uma paralisação de 48 horas. Milhares de estudantes estão sofrendo com a ausência de profissionais nas instituições de ensino.
"Estamos todos revoltados. São dois meses de atraso e ninguém fala nada. Só agora com o nosso protesto é que a prefeitura alega que foi um erro no sistema e que está tentando resolver. A verdade é que o cidadão trabalhador está sofrendo com o atraso e precisamos de uma solução imediata. Se isso não acontecer a greve continua", avisou. Quanto ao movimento articulado para ocorrer no Aeroporto de Aracaju, Diego destacou a importância de fortalecer os atos e transparecer para a sociedade o quanto os servidores da educação municipal têm enfrentado dificuldades.
"Realizar essa mobilização diante do prefeito João Alves é fundamental para que ele veja de perto o quanto os servidores estão sofrendo com a falta de cumprimento do seu governo com os trabalhadores. Estamos esperando até agora as promessas da campanha de 2012. Disseram que todos os servidores da prefeitura seriam valorizados e depois de três anos e meio o que percebemos é que a valorização dada são dois meses de atraso salarial. Por isso precisamos protestar independente da presença de João", pontuou.
Conforme previsto, o prefeito João Alves Filho desembarcou em Aracaju, mas não se pronunciou sobre os problemas financeiros vividos pelos servidores dos serviços gerais, nem quanto às reivindicações dos professores.

