Uma briga entre detentos causou confusão e muita tensão na carceragem da 2ª Delegacia Metropolitana (2ª DM), bairro Getúlio Vargas (zona central de Aracaju). Por volta das 8h de ontem, um preso visivelmente alterado começou a trocar socos com colegas de cela, provocando o incidente e chamando a atenção dos quatro policiais que estavam de plantão. No momento do incidente, havia 32 presos distribuídos entre as seis celas da delegacia – dois acima da capacidade.
Os agentes não conseguiram controlar a briga e pediram reforço através de um alerta geral pelo sistema de rádio da polícia. Viaturas do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp) e do Comando de Policiamento da Capital (CPMC) chegaram rápido ao local e isolaram a carceragem, mas a situação foi resolvida com a chegada de mais de 20 soldados do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), que entraram nas celas e as revistaram por cerca de meia hora. Nenhuma arma branca foi encontrada. Os detentos foram redistribuídos nas celas e o homem apontado como causador da confusão foi levado para avaliação médica, pois se suspeitava que ele seria portador de doenças mentais.
Inicialmente, chegou-se a cogitar que teria acontecido uma tentativa de assassinato dentro da cela, mas a informação foi descartada pelo delegado Luciano Cardoso, titular da 2ª DM. "Não houve tentativa de homicídio e nem de fuga. Foi uma situação sui generis. Um dos presos estava em um estado eufórico, muito agitado, e começou a bagunçar dentro das celas, impedindo que os outros presos descansassem. Eles ficaram inconformados com essa situação e, provavelmente, um dos presos deu uma porrada nele. Não há motivos para transferência de nenhum preso, porque não houve rebelião e a situação foi controlada", assegurou Luciano.
As visitas aos presos ficaram temporariamente suspensas até a saída da PM. Dirigentes do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol) também estiveram na 2ª DM e fizeram declarações contrárias à presença de detentos nas carceragens das delegacias. "Nós vamos voltar a fazer aquelas ações para zerar as carceragens, porque o agente que toma conta de presos está em desvio de função. Definitivamente, delegacia não é lugar de preso", protestou o diretor de comunicação do sindicato, Jorge Henrique, referindo-se às manifestações feitas em agosto de 2015, após duas rebeliões ocorridas em delegacias de Aracaju, causadas pela superlotação de presos. (Gabriel Damásio)


