Milton Alves Júnior
Integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) interromperam na manhã de ontem o fluxo de veículos em estradas estaduais e federais divididos em três importantes trechos no Estado de Sergipe. Prejudicando em especial motoristas que se deslocavam nas intermediações dos municípios de Aracaju, Cristinápolis, Nossa Senhora da Glória, Itabaiana, Japoatã, Itaporanga D’ajuda e Simão Dias, os grupos de manifestantes ocuparam as pistas com o propósito de pressionar os governantes a agilizar o processo de estudo do Plano Camponês e proporcionar melhores condições de moradia para os mais de 10.500 sergipanos associados ao movimento. Fazendo parte de uma mobilização nacional, simultaneamente às 9h os líderes do MST/Sergipe começaram a invadir as rodovias e causar uma série de transtornos.
Na capital, o bairro São Conrado foi o escolhido pelos coordenadores da manifestação para concentrar os atos públicos que todos os anos fazem parte do calendário de protestos realizados em todo o Brasil. O tema reforma agrária volta a compor a planilha de pautas reivindicatórias apresentadas pelo MST ao Congresso Nacional. Para esta temporada, conforme anunciado esta semana, novas atividades estão programadas para acontecer na mesma amplitude até a sexta-feira, 13. As interdições em Sergipe ocorreram com média de 45 minutos de duração, com exceção da cidade de Nossa Senhora da Glória, que foi realizado das 9h até as 12h10. Em todos os trechos prejudicados o congestionamento superou cinco quilômetros em ambas as vias.
Acompanhados de perto por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Companhia de Policia Rodoviária Estadual (CPRv), os associados enfatizaram também a necessidade emergencial de aprovar e implantar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além da criação de perímetros irrigados e a realização do Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC). De acordo com Edízio dos Santos, a luta dos acampados é constante e pode ocorrer além do prazo previamente estabelecido pelo MST nacional.
Segundo o manifestante, a orientação emitida por coordenadores é que a batalha a favor do Plano Camponês permaneça ativa até que os benefícios sejam atribuídos para cada região do Brasil."Não podemos mais aceitar que nossas propostas continuem arquivadas e os nossos gestores permaneçam sem se importar com os pedidos que estamos reivindicando há vários anos. Não queremos briga, nós queremos que a população em geral se una aos nossos atos e pressione o poder publico com a gente", disse.
Esse já foi o segundo dia de mobilização protagonizada pelo MST em solo sergipano. Na manhã da última terça-feira, 10, manifestantes ocuparam as superintendências do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, em Aracaju, e de forma pacífica protestaram contra uma possível falta de diálogo entre bancos e assentados. A queixa foi generalizada sobre impasses na linha de crédito e devido à demora na aprovação de projetos voltados para os associados.
"Enquanto continuar essa falta de respeito ao homem do campo e a não disposição para debater essas reivindicações que estamos expondo essa semana, os atos vão continuar e podem gerar mais interrupções. Só parando o Brasil os nossos deputados e senadores devem se voltar para a nossa causa social", declarou o assentado José Maurício Cardoso.
Informações apresentadas na tarde de ontem pelas companhias de policia rodoviárias indicaram pontos de mobilização também nos municípios de Malhada dos Bois e São Cristóvão. Em nenhum das ocorrências houve registro de detenções. Pela direção do MST/Sergipe foi garantido que, caso sejam necessárias novas atuações públicas, imprensa, população e os órgãos de segurança serão informados de forma antecipada.
Motu – O dia de ontem também foi de manifestação para membros do Movimento dos Trabalhadores Urbanos (Motu). Segundo declarações feitas pelas famílias, o ato teve como objetivo cobrar políticas públicas de moradia popular que foram garantidas pelo prefeito João Alves Filho, mas até o momento não foram devidamente proporcionadas. A ação que teve início na entrada principal do bairro Santa Maria, por volta das 9h, seguiu pela rota do Orlando Dantas, sentido Terminal de Integração do Distrito Industrial de Aracaju (DIA). Diante do caos que se instalou nas vias, agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) foram designados para o local a fim de tentar reorganizar o fluxo de veículos.
"Se estamos aqui nas ruas é porque chegamos ao limite e não aguentamos mais receber tanta promessa. Até agora nenhuma solução que realmente venha melhorar a vida de mais de 150 famílias que passam por problemas foi feita. Problemas esses que são de conhecimento do senhor prefeito e dos secretários, mas nada é feito para mudar essa situação. O jeito foi faltar o emprego e participar dessa caminhada", enfatizou o auxiliar de obras, Reginaldo Dias de Jesus.


