Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu) invadiram ontem a superintendência da Caixa Econômica Federal em Sergipe (CEF), localizada na avenida Hermes Fontes, em Aracaju. Cobravam o andamento dos Programas Nacionais de Habitação Rural (PNHR) e Urbana (PNHU).
O PNHU destina-se a produção ou aquisição de novas unidades em áreas urbanas e requalificação de imóveis existentes em áreas consolidadas. São considerados imóveis novos para os fins do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) aqueles cujo "habite-se" tenha sido expedido a partir de 26 de março de 2009 e desde que não tenham sido habitados. Já o PNHR beneficia agricultores e trabalhadores rurais, que devem apresentar à CEF, às instituições financeiras ou agentes financeiros do Sistema Financeiro da Habitação, comprovação de renda formal ou informal, que permita atestar seu enquadramento nos grupos definidos na portaria.
Segundo um dos coordenadores do MST, José Alberto dos Santos, o ‘Careca’, eles desejam o financiamento de recursos para os projetos que beneficiarão cidadãos com renda mensal específica. "Apresentamos diversos projetos há dois anos e nenhum deles saiu do papel", reclamou. Se os projetos apresentados pela organização tivessem tido andamento, hoje, 1.300 famílias teriam moradia própria.
No final da manhã, uma comissão e um delegado federal foram recebidos por parte da direção da Caixa – o superintendente estava em viagem -, e ficou acordado que hoje, sexta-feira, eles sentam mais uma vez para conversar. A expectativa é que a Caixa apresente um calendário de contratação dos projetos. "Semanalmente teremos reunião com os movimentos e instituições a fim de acompanhar o andamento dos projetos", garantiu Alberto.
Na penúltima reunião junto à Caixa, que ocorreu no dia 16 de dezembro, o MST, o Motu, a Associação de Cooperação Agrícola do Estado de Sergipe e o Centro Comunitário de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro não saíram satisfeitos com o que ouviram. "Fomos a fim de sanar todos os critérios exigidos pelo Governo Federal para atingir à aquisição dos benefícios previstos nos programas. Porém, o superintendente informou que não havia verba para iniciar os projetos, só que o Governo Federal diz que há dinheiro, então os discursos não coincidem", observou José Alberto.
Para José Alberto existe má vontade da superintendência da Caixa. "Para as grandes empresas não existe burocracia e a prioridade é sempre delas. Já para nós, o processo é lento. Hoje, um dos grandes problemas da superintendência da Caixa em Sergipe é que usam a instituição federal para trampolim político", denunciou o integrante do MST.
Encontro – Desde a última terça-feira, 400 militantes do MST de Sergipe participam do 27º Encontro Estadual do MST, que acontece no Centro de Formação Canudos, situado no assentamento Moacir Wanderley, no povoado Quissamã, em Nossa Senhora do Socorro. "Até o final do encontro que se encerra amanhã (hoje), vamos passar aos militantes o resultado da reunião que ocorrerá pela manhã, se não houve evolução da situação, vamos definir o que faremos nos próximos dias", adiantou José Alberto.


