Sergipano segue preso na Papuda por atos golpistas em Brasília

"Aqui gente, o Congresso! Esplanada, Esplanada, o povo tomou, tem que ser desse jeito! Bora gente...tomar spraymentada em pé, bora. Esses vagabundos covardes! Ô Gente, vem!", propagava o sergipano.

Milton Alves Júnior

Por enquanto, segue preso por tempo indeterminado no Complexo Penitenciário da Papuda, o sergipano Luciano Oliveira dos Santos – itabaianense popularmente conhecido como: Popó Bolsonaro -, identificado pela Polícia Federal como um dos invasores responsáveis por praticar atos de terrorismo na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Defensor do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, Luciano esteve na capital federal no dia 08 de janeiro deste ano, quando milhares de pessoas ainda resistentes à vitória democrática de Luiz Inácio Lula da Silva, decidiram ocupar e depredar, em especial, o Palácio do Planalto, parte do Congresso Nacional, e o prédio do Superior Tribunal Federal (STF).
Os dias do sergipano na Papuda podem estar contados em virtude de a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, ter reivindicado junto ao ministro Alexandre de Moraes, que os detentos sejam transferidos para unidades penitenciárias de regime fechado no respectivo estado oficial de moradia. Esse pedido oficial – ainda aguardando ser apreciado pelo ministro -, ocorre em virtude da superlotação enfrentada desde a noite do domingo, 08/01. Durante o dia de ontem – pontualmente um mês após os atos antidemocráticos e terroristas -, o poder judiciário do DF revelou que Luciano Oliveira e outros 941 terroristas permaneciam presos. Todos passaram por audiência de custódia entre os dias 09 e 12 de janeiro, quando a prisão temporária foi transformada em preventiva.
Entre os crimes que respondem está: associação criminosa; incitar a animosidade entre as Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais; tentativa de abolir, com grave ameaça ou violência, o Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância; inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima; associação criminosa armada; e deterioração de patrimônio tombado. O dano financeiro provocado pelos vândalos ultrapassa a casa dos 20 milhões de reais. Parte deste prejuízo está sendo pago por empresários e políticos que foram identificados pela própria Polícia Federal como financiadores de caravanas oriundas de todas as regiões do país. Estas pessoas tiveram suas contas bloqueadas por determinação judicial.
No final da tarde de ontem o JORNAL DO DIA recebeu a informação que familiares de Luciano Oliveira dos Santos enfrentaram impasses com a primeira advogada de defesa; não foram apresentados detalhes sobre o citado conflito, apenas informação complementar indicando que o grupo de defesa conta com outro profissional da advocacia. O bolsonarista preso é irmão do ex-presidente da Câmara dos Vereadores de Itabaiana, Zé Roberto. Poucas horas após receber a informação de que o irmão havia sido preso pela Polícia Federal, o ex-vereador disse que não sabia da participação de Luciano nos atos, e que tomou conhecimento através das redes sociais. Ainda segundo ele, a família segue sem saber quem custeou as despesas da viagem.
“Aqui gente, o Congresso! Esplanada, Esplanada, o povo tomou, tem que ser desse jeito! Bora gente…tomar spraymentada em pé, bora. Esses vagabundos covardes! Ô Gente, vem!”, propagava o sergipano perante o grupo terrorista no momento da invasão aos prédios. As redes sociais do sergipano foram desativadas poucos dias após a invasão. Os crimes cometidos [citados acima] possuem punições de reclusão que variam de 03 meses a 12 anos; juntos, caso sejam punidos com o mais rigor da justiça, os suspeitos podem ficar até 29 anos presos em regime fechado.

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