Sergipe dramático

 

O caminho não será fácil e muito menos curto. Após a reestruturação das disputas nacionais apelidada de "era dos pontos corridos", foi criado um pau-de-sebo para o acesso das equipes ao panteão nacional
* Antonio Passos
A torcida do Club Sportivo Sergipe iniciará 2020 com a certeza de que a maior conquista possível para o ano, se vier, será uma vitória ligeira e condenada a só refletir a esperança de saída do fundo do poço do futebol nacional no ano seguinte. Em 2019, o Sergipe foi um fiasco e, por isso, em 2020 apenas disputará o espremido campeonato estadual.
O caminho não será fácil e muito menos curto. Após a reestruturação das disputas nacionais apelidada de "era dos pontos corridos", foi criado um pau-de-sebo para o acesso das equipes ao panteão nacional. Nesse pau-de-sebo do futebol ninguém despenca lá de cima direto para o chão e nem pula de baixo para o alto, tanto a descida quanto a subida são renhidas, agarradas ao mastro de cocanha. Antes, os vitoriosos estaduais tinham participação imediata em um campeonato brasileiro único, no mesmo ano. Agora, não! Para uma equipe que começará do zero, como o Sergipe em 2020, alcançar a elite, a série A, seriam necessários quatro anos seguidos de excelentes desempenhos.
Em sã consciência, a torcida rubra sonha, mas, não espera de fato que o time chegue assim, digamos, tão facilmente entre os 20 melhores clubes do brasileirão. A Associação Desportiva Confiança, que há muito mais tempo demonstra realizar um planejamento de longo prazo, estará em 2020 na série B e todos sabemos o oceano de suor que separa o Dragão de mais uma possível subida de série, além dos milionários obstáculos.
Mas, o Gipão promete. Anuncia contratações e diz que vai tirar o pé da lama em 2020. Será? É duro ouvir hoje essas nossas equipes formadas por atletas com sotaque do interior do Paraná e de outros rincões do país, trazidos no vaivém empresarial, e acreditar que tudo isso vai funcionar – guardadas as devidas proporções – como um Flamengo de Jesus. O primeiro amistoso da pré-temporada, realizado dentro de casa, no Estádio João Hora, terminou com placar frustrante. O "mais querido" perdeu do Boca Júnior por um a zero – o Boca daqui, não o Juniors de Buenos Aires.
Ao final da partida o técnico declarou à imprensa uma dessas frases que fazem o patoá do futebol e que podem significar muitas coisas diferentes. Disse que nesse momento de pré-temporada mais importante que o placar é observar a evolução da equipe. Oxalá o futebol do Club Sportivo Sergipe esteja mesmo em promissora evolução. Os primeiros indícios apontam para um Sergipe dramático em 2020.
* Antonio Passos é jornalista

O caminho não será fácil e muito menos curto. Após a reestruturação das disputas nacionais apelidada de "era dos pontos corridos", foi criado um pau-de-sebo para o acesso das equipes ao panteão nacional

* Antonio Passos

A torcida do Club Sportivo Sergipe iniciará 2020 com a certeza de que a maior conquista possível para o ano, se vier, será uma vitória ligeira e condenada a só refletir a esperança de saída do fundo do poço do futebol nacional no ano seguinte. Em 2019, o Sergipe foi um fiasco e, por isso, em 2020 apenas disputará o espremido campeonato estadual.
O caminho não será fácil e muito menos curto. Após a reestruturação das disputas nacionais apelidada de "era dos pontos corridos", foi criado um pau-de-sebo para o acesso das equipes ao panteão nacional. Nesse pau-de-sebo do futebol ninguém despenca lá de cima direto para o chão e nem pula de baixo para o alto, tanto a descida quanto a subida são renhidas, agarradas ao mastro de cocanha. Antes, os vitoriosos estaduais tinham participação imediata em um campeonato brasileiro único, no mesmo ano. Agora, não! Para uma equipe que começará do zero, como o Sergipe em 2020, alcançar a elite, a série A, seriam necessários quatro anos seguidos de excelentes desempenhos.
Em sã consciência, a torcida rubra sonha, mas, não espera de fato que o time chegue assim, digamos, tão facilmente entre os 20 melhores clubes do brasileirão. A Associação Desportiva Confiança, que há muito mais tempo demonstra realizar um planejamento de longo prazo, estará em 2020 na série B e todos sabemos o oceano de suor que separa o Dragão de mais uma possível subida de série, além dos milionários obstáculos.
Mas, o Gipão promete. Anuncia contratações e diz que vai tirar o pé da lama em 2020. Será? É duro ouvir hoje essas nossas equipes formadas por atletas com sotaque do interior do Paraná e de outros rincões do país, trazidos no vaivém empresarial, e acreditar que tudo isso vai funcionar – guardadas as devidas proporções – como um Flamengo de Jesus. O primeiro amistoso da pré-temporada, realizado dentro de casa, no Estádio João Hora, terminou com placar frustrante. O "mais querido" perdeu do Boca Júnior por um a zero – o Boca daqui, não o Juniors de Buenos Aires.
Ao final da partida o técnico declarou à imprensa uma dessas frases que fazem o patoá do futebol e que podem significar muitas coisas diferentes. Disse que nesse momento de pré-temporada mais importante que o placar é observar a evolução da equipe. Oxalá o futebol do Club Sportivo Sergipe esteja mesmo em promissora evolução. Os primeiros indícios apontam para um Sergipe dramático em 2020.

* Antonio Passos é jornalista

 

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