Kátia Azevedo
A Sergipe Industrial (SISA) fechou a sua unidade do Bairro Industrial, em Aracaju. Dos 500 funcionários, cerca de 200 foram demitidos. Os demais transferidos para outras unidades da empresa na capital e na cidade de Riachuelo. No local da Fábrica, na Avenida João Rodrigues, será construído um condomínio habicional.
A informação foi passada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil em Sergipe (Sinditêxtil), que lamenta a demissão em massa. "São menos 200 postos de trabalho", observa Giseldo Santos, presidente do Sinditêxtil.
Segundo o sindicato, a empresa vem cumprindo com todas as obrigações trabalhistas, mas a preocupação é com a reinserção desta mão-de-obra no mercado de trabalho. Ele destaca que grande parte dos operários tem mais de 40 anos de idade. "O mercado têxtil não tem como reabsorvê-los. Além disso, são pessoas que não possuem tempo de serviço suficiente para requerer aposentadoria", explica.
Ainda segundo Giseldo, o sindicato está encaminhando todos para o NAT (Núcleo de Apoio ao Trabalhador) e buscando qualificação em outras atividades através de cursos. De acordo com o presidente do sindicato, para os transferidos, ficou o transtorno no deslocamento. "Os trabalhadores moravam próximo, gastavam cerca de 15 minutos de bicicleta de casa até o trabalho. Hoje, eles têm que pegar dois, três ônibus para trabalhar", disse.
O presidente informou ainda que a SISA argumentou que estava tendo muito custo para manter as três unidades de produção e que o prédio, com mais de 100 anos, será demolido e, no local, será erguido um condomínio de apartamentos.
A SISA é uma indústria têxtil sergipana que iniciou as atividades em fevereiro de 1882 e atua no segmento de cama, mesa e banho, com presença em todos os Estados brasileiros, além de países do Mercosul.
Panorama – Giseldo lembra que a realidade dos trabalhadores da indústria têxtil em Sergipe tem sido de muitas incertezas e quase nenhuma garantia. Ele relembra o caso de cerca de 40 empregados na empresa Tavex Corporation (Santista Têxtil) que foram demitidos durante o ano passado.
O sindicalista destaca ainda que não é de hoje que as empresas têxteis vêm para Sergipe, atraídas pelos incentivos fiscais do Estado, mas não apresentam nenhuma contrapartida social que garanta o emprego dos trabalhadores, nem melhores condições de salários e de trabalho.
Giseldo ressalta que muitos operários têm sofrido com lesões pelo excesso de trabalho, já que com as demissões a quantidade de trabalho aumentou. Além disso, casos de alergia e problemas respiratórios têm aumentado entre os funcionários, já que o material usado tem substâncias tóxicas e a matéria-prima, o algodão, muitas vezes tem alto teor de agrotóxicos. A toda essa exposição a qual o empregado é submetido não é dada nenhuma garantia pela periculosidade.
Ele acrescenta ainda que os operários estão em contato com outras substâncias na indústria, tais como soda cáustica, hidróxido de carbono e muitos outros produtos tóxicos e que existem pessoas com 17, 20 anos que já estão com a capacidade respiratória comprometida, além de perda auditiva e problemas nas articulações, porque além do problema da sobrecarga ainda tem o problema do material químico e tóxico que os funcionários são obrigados a manipular.
Para Giseldo a possibilidade da extinção da indústria têxtil em Sergipe é grande. Das que existiam em Aracaju já fecharam a Riachuelo, a Sergipe Industrial, Confiança, a Santista e agora uma unidade da Sergipe Industrial.


