Gabriel Damásio
A eficiência do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) voltou a ser questionada ontem, com denúncias de demora na prestação de socorro a dois pacientes que sofreram acidentes com queda no meio da rua – e tiveram que aguardar pelo atendimento por cerca de meia hora. Os dois casos aconteceram pela manhã em Aracaju. O mais grave deles foi o do corretor de planos de saúde Roque Santos de Brito, 52 anos, que morreu após cair e bater a cabeça no chão da porta de sua loja, na Avenida Barão de Maruim, Centro.
Segundo parentes e testemunhas, a queda ocorreu por volta das 7h40, quando Roque abria sua loja e escorregou, batendo forte com a cabeça. Com o choque, a vítima começou a perder muito sangue, mas ainda estava consciente. A partir daí, testemunhas e vizinhos passaram a fazer ligações para o Samu, pedindo o envio de ambulância. Os pedidos, no entanto, esbarravam no questionário feito pelos atendentes da Central de Regulação do serviço. Parentes do corretor também foram chamados ao local do acidente e se desesperavam à medida que o estado de saúde dele se agravava.
A primeira ambulância chegou ao local por volta das 8h15, mas, de acordo com a família, era de Suporte Básico e não tinha médico na equipe, nem equipamentos de reanimação dos pacientes. A equipe alegou ter sido informada sobre um acidente de moto e chamou uma segunda ambulância de Suporte Avançado. Esta chegou alguns minutos depois, mas Roque não resistiu e morreu neste intervalo de tempo. Os parentes se revoltaram muito com a situação e afirmam que a demora no socorro contribuiu com o óbito.
O segundo caso aconteceu às 9h45 na Avenida Acrísio Cruz, bairro São José (zona sul), quando a dona de casa Ana Lúcia dos Santos, 30 anos, tropeçou e caiu ao descer de um ônibus da linha Circular Indústria e Comércio, próximo à Praça da Imprensa. A vítima está grávida de cinco meses e, além de sofrer fortes dores, ficou bastante nervosa por temer a perda do bebê. Os populares que socorreram a gestante também telefonaram com insistência ao Samu e avisaram da ocorrência, mas a ambulância não chegou até às 10h15, quando um homem decidiu levar a jovem em sua própria caminhonete. Ana Lúcia foi internada na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, onde recebeu medicação e passou por observação psicológica. Tanto ela quanto o bebê passam bem e não sofreram ferimentos.
A Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) atribuiu os casos a "erros de informação" repassados à Central de Regulação, que atrapalharam o deslocamento das ambulâncias. Especificamente sobre o caso do corretor Roque, a coordenação do Samu informou que "a ocorrência foi solicitada às 7h46, com o relato junto ao regulador, de que tinha uma vítima de queda da própria altura e encontrava-se consciente e com sangramento na fronte" e que "a ambulância foi deslocada às 7h53, chegando à cena às 8h06", hora em que a morte do paciente foi constatada. A FHS não informou se abrirá sindicância para apurar falhas, mas garantiu que irá fazer correções, caso elas existam.


