Sergipe já registra 125 casos de microcefalia

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Subiu para 125 o número de crianças infectadas com Microcefalia em Sergipe. Só nas últimas 48 horas a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em Aracaju, registrou o nascimento de mais três crianças com os sintomas da doença que gera epidemia em todo o país. Conforme dados atualizados na tarde de ontem pelo Ministério da Saúde, hoje já são mais de 1.420 casos registrados no Brasil apenas neste ano de 2015. Caso o ritmo acelerado destas notificações permaneça no país, a perspectiva do Governo Federal é de ao menos 1.700 casos até o próximo dia 31 de dezembro. Esse levantamento representa mais de 2000% de aumento se comparado ao mesmo período dos anos anteriores.
Esses dados mostram ainda, por exemplo, a realidade detalhada dos casos de Microcefalia em Sergipe. Para se ter ideia do desafio enfrentado por todos no combate ao mosquito Aedes Aegypti, responsável por transmitir também esta doença, entre os anos de 2010 e 2014, apenas sete casos foram registrados nos 75 municípios sergipanos. Só este ano já foram 125. Na tentativa de minimizar os casos e num futuro próximo garantir o controle da doença, um batalhão de agentes de endemias permanece nas ruas buscando encontrar focos de proliferação dos mosquitos e tentando conscientizar a população a se unir nesta missão.
Ciente da situação de emergência vivenciada pelos sergipanos, Zezinho Sobral, secretário de Estado da Saúde (SES), lamentou os novos casos e destacou a importância de todos se unirem contra a Aedes Aegypti que, apenas nos últimos 10 meses, foi responsável por transmitir as doenças: Dengue, Zika Vírus, Chikungunya e Microcefalia. "É de se lamentar este ano quando nos referimos a este mosquito. Lá no século passado o país chegou a achar que o Aedes Aegypti havia sido extinto, mas agora podemos perceber que ele continua forte e ainda mais capaz de provocar pânico nas pessoas. Além dessas doenças ele também transmite a Febre Amarela. É preciso que o brasileiro de modo geral possa se unir e nos ajudar a combater de vez esse mal", afirmou.
Ainda segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de microcefalia foram registrados em 549 municípios de 20 unidades da Federação. Desses, 134 foram confirmados como tendo relação com o vírus Zika, 102 foram descartados (não têm relação com a doença) e 2.165 estão em investigação. O balanço mostra ainda que 29 óbitos por microcefalia foram notificados, desde o início do ano: um no Ceará, confirmado como tendo relação com o vírus Zika; dois casos no Rio de Janeiro, descartada a relação com o zika; e 26 estão em investigação. Compartilhando as declarações do secretário, o diretor presidente da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, Luiz Eduardo Prado, também destaca a gravidade do momento e pede apoio.
"Todas as ações realizadas pelas secretarias já julgam a ocorrência como, de fato, uma epidemia. Com base nesse levantamento, o Exército e a Defesa Civil estão unidos na tentativa de combater o mosquito transmissor. Precisamos intensificar cada vez mais esses trabalhos de monitoramento das nossas casas e locais de trabalho para que possamos obter êxito", disse. Questionado sobre a assistência fornecida ao paciente diagnosticado com a doença, o gestor garantiu que o Estado de Sergipe tem fornecido ampla assistência familiar: "temos uma equipe de profissionais de diversas áreas que estão atuando nesses casos. São fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, oftalmo, enfim, a melhor prevenção que podemos obter é combatendo o mosquito", pontuou.
A orientação do ministério é que as pessoas que vão viajar para áreas onde há circulação do vírus Zika – sobretudo gestantes – se protejam do mosquito por meio do uso de repelente e de roupas como calças e camisetas de manga comprida.

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