Milton Alves Júnior
O mosquito transmissor de doenças como dengue, chikungunha e zica pode ser o principal causador do aumento nos casos de microcefalia em Sergipe. Conforme dados apresentados na manhã de ontem pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (SES), somente este ano cerca de 50 crianças nasceram nas unidades públicas de saúde com o registo de anomalia, ou seja, malformação ainda no período de gestação que compromete o desenvolvimento adequado do cérebro do bebê. O caso preocupante já chamou a atenção do Ministério da Saúde, o qual destacou que em média, os casos no Estado de Pernambuco, por exemplo, não passavam de dez por ano, mas nos últimos quatro meses foram confirmados 141. Ao todo em Sergipe 14 cidades já registraram o diagnóstico.
Em entrevista coletiva concedida na manhã de ontem representantes da SES, acompanhados de técnicos da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) e da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes destacaram que a microcefalia não é uma ‘doença’ nova na população brasileira. Em geral, a malformação congênita está associada a uma série de fatores de diferentes origens, como por exemplo no uso indevido de substâncias químicas durante a gravidez, como drogas, contaminação por radiação e infecção por agentes biológicos, como bactérias e vírus. Os estudos sobre a possibilidade de contaminação pelo Aedes Aegypti encontram-se em fase preliminar. Os dados locais mostram que dos 50 casos até à tarde de ontem confirmados, 29 foram registrados na Nossa Senhora de Lourdes.
De acordo com Luiz Eduardo Correia, diretor da maior maternidade pública de Sergipe, diante dos fatos preocupantes o Ministério da Saúde já foi informado com detalhes, e tem se mostrado interessado em analisar o andamento dos casos. O gestor não descarta a possibilidade de logo em breve Sergipe receber uma intervenção do órgão federal. "Houve sim um primeiro contato junto ao ministério que tem trabalhado e nos ajudado na realização desse levantamento. Apenas com os resultados definitivos em mãos é que iremos saber se o ministério vai avaliar se vem ou não realizar uma intervenção aqui", afirmou. Até o momento não foi informado quando esse dossiê estará pronto para ser encaminhado a Brasília.
Enquanto técnicos sergipanos dialogavam com a imprensa sobre os registros locais, o Ministério da Saúde emitia alertas sobre os casos em todo país, com incidência maior no Nordeste, em estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. O órgão federal diz intensificar as análises a fim de saber o que fazer para minimizar os casos de microcefalia. Segundo Marcia Guimarães, diretora da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), além dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) residentes no Estado de Sergipe, as maternidades locais também têm sido berço para baianos e alagoanos que para este estado se deslocam em busca de atendimento médico.
"Dos 50 casos registrados e oficializados, um é de uma paciente moradora no Estado da Bahia que veio para cá realizar o parto. É preciso mais uma vez destacar que esse tipo de caso não é novo no Brasil, apenas o que temos identificado é uma ampliação ainda desconhecida e totalmente irregular da doença. A circunferência do crânio de 33 centímetros é o registrado para quem nasce com nove meses. Vamos continuar analisando os fatos e assim que tivermos uma conclusão desses avanços lamentáveis voltaremos a reunir a imprensa para atualizar a população. Esperamos notícias mais positivas na próxima coletiva", destacou Marcia Guimarães.


